Bolsonaro da Shopee lança candidatura a federal por MT pelo Novo
Produtor rural Vilmar Rigo mira pautas do agro, municipalismo e agenda conservadora; PL havia anunciado a pré-candidatura, mas o registro saiu pelo Novo
O produtor rural Vilmar Rigo, conhecido como Bolsonaro da Shopee, oficializou a candidatura a deputado federal por Mato Grosso pelo Novo e disse que vai concentrar a campanha em pautas do agronegócio, municipalismo e agenda conservadora. O anúncio foi divulgado no sábado, 8, segundo o Correio Braziliense.
O apelido vem da plataforma asiática de comércio eletrônico, em que Rigo ganhou notoriedade pela semelhança física com o ex-presidente Jair Bolsonaro. A imagem circulou em anúncios e vídeos e transformou o produtor em figura conhecida fora do estado antes de qualquer disputa eleitoral.
A legenda mudou no meio do caminho. O Partido Liberal (PL) de Mato Grosso havia anunciado a pré-candidatura de Rigo a deputado federal para 2026. O registro, porém, saiu pelo Novo, que homologou no último dia do prazo de convenções a chapa proporcional no estado, com nove nomes para a Câmara dos Deputados e 27 para a Assembleia Legislativa.
Os cinco eixos da candidatura
Rigo afirma que, se eleito, o mandato em Brasília se apoiará em cinco áreas: agronegócio e infraestrutura, segurança pública, educação e juventude, saúde e reforma do Judiciário.
Como produtor rural, ele aponta três gargalos de Mato Grosso: falta de capacidade de armazenagem, juros altos e entraves logísticos para escoar a produção.
"Mato Grosso produz muito, mas precisamos criar condições para que essa produção gere ainda mais riqueza aqui dentro. Temos que melhorar a logística, ampliar a capacidade de armazenagem e atrair indústrias para agregar valor ao que produzimos", disse Rigo ao Correio Braziliense.
O diagnóstico tem lastro na realidade do estado. Mato Grosso é o maior produtor de soja, milho e algodão do país, e a capacidade estática de armazenagem historicamente fica abaixo do volume colhido, o que obriga parte da safra a sair da lavoura direto para o caminhão em plena janela de colheita, quando o frete está mais caro.
O peso da chapa do Novo em Mato Grosso
Com nove candidatos a federal, o Novo disputa em um estado que elege oito deputados na Câmara. Nesse desenho, o desempenho individual pesa menos que o total de votos da legenda, já que a distribuição das cadeiras passa antes pelo quociente eleitoral.
A candidatura de Rigo entra em um campo disputado. Mato Grosso concentra vários pré-candidatos de perfil semelhante, ligados ao agro e ao bolsonarismo, e a fragmentação desse eleitorado é o principal risco para quem depende dele. Rigo tem circulado por agendas do setor produtivo no interior do estado e já participou de eventos de campanha ao lado de outros nomes da direita.
O apelido também tem valor jurídico na disputa. A Lei das Eleições permite que o candidato registre nome de urna diferente do nome civil, incluindo apelido pelo qual seja conhecido, desde que não gere dúvida quanto à identidade nem atente contra o pudor. É por essa regra que expressões de reconhecimento popular chegam à tela da urna, e a definição do nome de urna é feita no momento do pedido de registro.
Do lado partidário, a conta é mais dura do que o número de nomes sugere. Coligação em eleição proporcional está vedada desde a Emenda Constitucional 97, aprovada em 2017 e em vigor desde 2020. O Novo depende, portanto, apenas da soma dos votos dos seus 9 candidatos a federal em Mato Grosso para atingir o quociente eleitoral e eleger alguém.
O prazo de registro de candidaturas na Justiça Eleitoral vai até 15 de agosto, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tema detalhado na reportagem sobre o prazo de registro e as regras de impugnação. Até a homologação pela Justiça Eleitoral, os nomes escolhidos em convenção seguem sujeitos a questionamento.
A pauta de crédito e endividamento no campo, que Rigo cita ao falar de juros, também tramita no Congresso e aparece na cobertura sobre a dívida do agro e a recuperação extrajudicial.