Economia

Desemprego cai a 5,4%, mas informalidade fica em 37,4% dos ocupados

Menor taxa da série histórica para um segundo trimestre convive com 13,6 milhões de trabalhadores sem carteira e rendimento médio de R$ 3.738

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no segundo trimestre de 2026, o menor patamar já registrado para o período na série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número marca recuo em duas frentes de comparação. No primeiro trimestre deste ano, a taxa era de 6,1%. No mesmo trimestre de 2025, estava em 5,8%. A população desocupada caiu para 5,9 milhões de pessoas, 718 mil a menos que no trimestre anterior, uma redução de 10%.

O que sustenta o número

A população ocupada chegou a 103,1 milhões de pessoas, 1,081 milhão a mais que no trimestre anterior. O emprego com carteira assinada no setor privado atingiu 39,4 milhões, o maior registro da série.

Ao lado desse recorde, a pesquisa mostra outro contingente. São 13,6 milhões de trabalhadores sem carteira assinada, e a taxa de informalidade ficou em 37,4% da população ocupada. Em números redondos, mais de um terço de quem trabalha no país está fora da proteção do contrato formal, sem recolhimento previdenciário regular e sem FGTS.

  • Taxa de desemprego: 5,4% no 2º trimestre de 2026, contra 6,1% no 1º trimestre e 5,8% no 2º trimestre de 2025.
  • Desocupados: 5,9 milhões, queda de 718 mil pessoas em um trimestre.
  • Ocupados: 103,1 milhões, alta de 1,081 milhão.
  • Com carteira assinada: 39,4 milhões, recorde da série.
  • Sem carteira: 13,6 milhões.
  • Taxa de informalidade: 37,4%.
  • Desalentados: 2,3 milhões, queda de 14,7% no trimestre.

A renda que o dado não mostra

O rendimento médio real do trabalhador ficou em R$ 3.738 no trimestre encerrado em junho, o maior valor para um segundo trimestre na série, com alta de 2,8% sobre o mesmo período de 2025. O avanço é bem menor que o do número de ocupados, e o próprio IBGE explica por quê.

"As novas contratações costumam pagar na média ou abaixo dos demais salários", afirmou William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE.

A leitura tem consequência direta. O emprego cresce puxado por vagas na faixa mais baixa da distribuição salarial, o que segura a média para cima apenas de forma marginal. Quem entra no mercado agora ganha menos que a média de quem já estava dentro.

O que olhar a partir daqui

A queda do desalento, de 14,7% em um trimestre, indica que parte de quem havia desistido de procurar trabalho voltou ao mercado e encontrou ocupação. Esse movimento costuma pressionar a taxa de desemprego para cima quando a criação de vagas desacelera, porque devolve gente à conta de quem procura emprego.

A informalidade em 37,4% é o dado que resiste. Ela se mantém em patamar alto mesmo com o recorde de carteiras assinadas, o que aponta para uma composição de mercado em que a expansão formal e a ocupação por conta própria crescem em paralelo, sem que a segunda seja absorvida pela primeira.

O resultado alimenta o debate sobre o custo do trabalho formal e sobre a capacidade de a economia converter crescimento em vínculo com proteção previdenciária. Do lado fiscal, a informalidade elevada significa base de arrecadação previdenciária menor do que o número de ocupados sugere.

Leia também: a projeção de crescimento da Fazenda para 2026 e a projeção de inflação que estoura o teto da meta.

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