Cultura

TSE reúne YouTube e influenciadores em ação contra a desinformação

Encontro virtual de 6 de agosto teve Nunes Marques, secretário de TI e assessor de enfrentamento à desinformação; nota não cita contrapartida de moderação

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reuniu representantes do YouTube e influenciadores digitais em encontro virtual na tarde de quinta-feira, 6 de agosto, para tratar do combate à desinformação nas eleições de 2026. A informação foi divulgada pelo próprio tribunal em nota publicada no dia 7.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, participou da reunião e defendeu que a Justiça Eleitoral aproxime a comunicação institucional do vocabulário do eleitor comum.

"Passar informações e conteúdo na linguagem do cidadão é fundamental", afirmou o ministro. Segundo ele, "o apelo da Justiça Eleitoral [aos influenciadores] é tirar as dúvidas".

O tribunal não divulgou os nomes dos criadores de conteúdo presentes nem informou quantos participaram do encontro. Também não consta da nota se houve seleção prévia por alcance, por tema abordado ou por posicionamento político dos convidados.

O que foi tratado

Pela descrição oficial, o objetivo foi ampliar a cooperação entre o TSE e as plataformas digitais, com foco na simplificação da linguagem institucional e na integração de iniciativas conjuntas de esclarecimento ao eleitor.

O secretário de Tecnologia da Informação do tribunal, Júlio Valente, apresentou o funcionamento do sistema eletrônico de votação, que classificou como "um dos mais auditáveis do mundo". Ele explicou que a auditoria "ocorre na própria seção eleitoral, por meio da conferência".

Assessor de Enfrentamento à Desinformação da Corte, Frederico Franco Alvim tratou do tom do debate público. "A qualidade do debate público e a saúde da democracia passam pela propagação", disse. "Precisamos discordar, mas sem nos agredir."

O que a nota não esclarece

A comunicação do TSE não detalha se houve qualquer contrapartida de moderação de conteúdo por parte do YouTube, nem menciona compromissos de remoção, rotulagem ou redução de alcance de publicações.

Também não há informação sobre critérios de escolha dos influenciadores convidados, sobre eventual remuneração e sobre a existência de acordo formal assinado ao fim do encontro. O tribunal descreve o resultado como ampliação de cooperação, sem apresentar documento.

Esses pontos não constam da nota oficial, que é a única manifestação pública do tribunal sobre o encontro até esta publicação.

Quem são os interlocutores

A escolha de influenciadores como canal de comunicação institucional acompanha uma mudança de audiência. Criadores de conteúdo alcançam faixas etárias que a propaganda eleitoral tradicional em rádio e televisão atinge cada vez menos, e o TSE tem tratado esse público como prioridade nas campanhas de esclarecimento sobre voto e urna.

O YouTube, por sua vez, é uma das plataformas que assinam acordos de cooperação com a Justiça Eleitoral desde ciclos anteriores. Esses termos costumam prever divulgação de conteúdo oficial e canais diretos para comunicação de irregularidades, sem transferir ao tribunal poder de decisão sobre a moderação da plataforma.

A ação se soma a outras medidas do tribunal

O encontro entra em uma sequência de iniciativas adotadas pela Corte para o ciclo eleitoral de 2026. Em julho, o TSE instituiu por portaria um conselho consultivo voltado à integridade informacional, com atuação sobre desinformação e uso de inteligência artificial em campanhas.

A Resolução TSE 23.755/2026, que rege a propaganda deste ciclo, impõe rotulagem obrigatória de conteúdo gerado por inteligência artificial e fixa regras para impulsionamento pago. O descumprimento da rotulagem pode levar à remoção do material e a sanções ao responsável pela publicação.

A regra alcança quem produz conteúdo eleitoral fora das estruturas partidárias. Influenciador que recebe para divulgar candidato está sujeito às mesmas exigências de identificação e de registro de gasto que a propaganda convencional, ponto que separa a cooperação institucional discutida na reunião do trabalho remunerado de campanha.

O calendário eleitoral segue com as convenções partidárias e o registro de candidaturas nas próximas semanas.

Leia também: TSE cria conselho sobre desinformação e inteligência artificial nas eleições de 2026.

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