Cultura

Proporção de editoriais críticos ao STF sobe em quatro jornais

Estudo avaliou 1.833 textos entre 2023 e junho de 2026; Gazeta do Povo chegou a 100% e Folha teve a maior alta

A proporção de editoriais críticos ao Supremo Tribunal Federal cresceu em quatro dos principais jornais brasileiros no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da organização Ranking dos Políticos divulgado pelo Poder360. O estudo avaliou 1.833 textos publicados entre 2023 e junho de 2026 e classificou cada um como favorável, neutro ou contrário à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou ao STF.

A Gazeta do Povo chegou a 100% de editoriais críticos ao tribunal no período, ante 95,77% em 2025. O Estadão passou de 80,60% para 90,70%, alta de 10,10 pontos percentuais. A Folha de S.Paulo teve a maior variação: saiu de 46,15% para 61,29%, avanço de 15,14 pontos. O Globo subiu de 24,14% para 28,57%, o menor percentual entre os quatro.

A base de textos analisados por veículo ficou assim distribuída: 618 editoriais do Estadão, 460 da Gazeta do Povo, 384 da Folha de S.Paulo e 371 de O Globo.

Quais ministros aparecem nas críticas

Os ministros mais citados nos textos críticos foram Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. As menções aparecem com frequência ligadas ao caso do Banco Master, que envolve decisões judiciais sobre a instituição financeira e ganhou espaço na cobertura do primeiro semestre.

O editorial é o texto que expressa a posição institucional do jornal, sem assinatura individual, e não se confunde com colunas ou artigos de opinião de colaboradores. É por isso que a série serve como termômetro da linha adotada por cada redação, e não da opinião de jornalistas isolados.

O que a metodologia mede e o que não mede

O levantamento classifica o teor de cada editorial em três categorias e acompanha a variação ao longo de quatro anos. A leitura direta é sobre volume e direção: quantos textos, em que sentido. O estudo não afere se a crítica procede nem contrapõe os argumentos dos editoriais às decisões do tribunal.

A classificação de teor também depende de critério do avaliador, o que pede cautela na comparação entre veículos com estilos editoriais distintos. Um jornal que publica editoriais mais longos e com ressalvas pode ter texto classificado de forma diferente de outro que adota tom mais direto sobre o mesmo fato.

Outro limite é o denominador. Como o número de editoriais varia bastante entre os veículos, de 371 a 618 no período de três anos e meio, uma variação percentual pequena em um jornal com base menor representa menos textos do que a mesma variação em um jornal com base maior. A Gazeta do Povo, que chegou a 100%, publicou 460 editoriais, e O Globo, com o menor percentual, publicou 371.

O que os quatro veículos têm em comum é a direção do movimento. Nos quatro casos, o percentual de críticas subiu de 2025 para o primeiro semestre de 2026, ainda que em intensidades bem diferentes: de 4,23 pontos na Gazeta do Povo, que já partia de patamar próximo do teto, a 15,14 pontos na Folha, que tinha a menor base entre os que mais cresceram.

O período coberto pelo estudo coincide com uma sequência de decisões do tribunal que puseram a relação entre Judiciário e imprensa em disputa aberta. Em agosto, uma entidade que reúne veículos das Américas criticou publicamente uma decisão de Alexandre de Moraes sobre sigilo de fonte, episódio que rendeu manifestações de ministros e de organizações de defesa do jornalismo.

O levantamento não separa os editoriais por tema, o que impede saber quanto da alta vem de decisões sobre liberdade de expressão e quanto vem de outras frentes, como o julgamento de casos criminais ou a discussão sobre remuneração de magistrados. Os dados completos estão publicados pela organização responsável pelo monitoramento, e a base de textos analisados é aberta para consulta.

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