São Paulo confirma 23 casos de sarampo e capital enfrenta fila por vacina
Capital concentra 20 dos casos e investiga cerca de 200 suspeitos; 57 de 62 unidades abertas no sábado registraram fila
O estado de São Paulo chegou a 23 casos confirmados de sarampo e a capital paulista enfrentou filas em postos de saúde no sábado, 8, durante a mobilização de vacinação contra a doença. Só na cidade de São Paulo há cerca de 200 casos suspeitos em investigação.
Dos 23 casos confirmados no estado, 20 estão na capital, 2 em São Bernardo do Campo e 1 em Guarulhos. A maioria dos infectados, 16 pessoas, não tinha registro de vacinação ou apresentava esquema incompleto, segundo o levantamento divulgado pelas autoridades de saúde.
Como foi o sábado nos postos
De 62 Unidades Básicas de Saúde que abriram aos sábados para aplicar a vacina, 57 registravam fila por volta do meio-dia, conforme reportagem da Agência Brasil. Em unidades da zona leste, a espera passava de uma hora.
O ritmo da campanha aparece nos números do dia anterior. Na sexta-feira, 7, foram aplicadas 84.632 doses da vacina contra o sarampo e outras 24.952 doses de imunizantes diversos, somando 109.584 aplicações, o maior volume em um único dia desde o início da mobilização, em 3 de agosto.
A mobilização começou em 3 de agosto e envolve horário estendido e abertura de unidades aos sábados, formato adotado para alcançar quem trabalha durante a semana. A concentração de filas nas unidades da periferia da capital indica que a procura se deu justamente onde a cobertura vacinal costuma ser menor.
Quem deve se vacinar e até quando
O público-alvo vai de bebês a partir de 11 meses até adultos de 59 anos, incluindo quem já tem o esquema vacinal completo. A campanha de reforço segue até 1º de setembro, com um Dia D de mobilização marcado para 22 de agosto.
A vacina contra o sarampo é oferecida gratuitamente na rede pública e não exige pedido médico. Para receber a dose, basta procurar uma unidade básica de saúde com documento de identificação e, quando houver, a caderneta de vacinação. Quem não localiza o registro antigo pode tomar a dose de reforço, procedimento que a campanha autoriza mesmo para quem acredita já estar imunizado.
O sarampo é transmitido pelo ar e tem alto poder de contágio, o que faz a doença voltar a circular rapidamente quando a cobertura vacinal cai. É por isso que a orientação da campanha alcança também quem já se vacinou: a proteção coletiva depende do percentual da população imunizada, não apenas do histórico individual.
A queda da cobertura vacinal é o pano de fundo do episódio paulista e não se restringe a São Paulo. O tema tem sido levado ao Congresso em audiências sobre busca ativa de não vacinados, estratégia que consiste em cruzar cadastros e procurar quem não completou o esquema em vez de esperar a procura espontânea no posto. A fiscalização de práticas na área de saúde também segue no radar, como no levantamento sobre exercício ilegal da medicina publicado pelo Resenhando.
Os cerca de 200 casos suspeitos em investigação na capital são o número que ainda pode mudar o quadro. Cada notificação passa por exame laboratorial, e a confirmação leva dias, de modo que o total de 23 registrados até agora representa o estágio atual da apuração, não o tamanho final do surto.
A doença atinge com mais gravidade crianças pequenas e adultos sem imunização, e pode evoluir para pneumonia e complicações neurológicas. É por essa razão que o público-alvo da campanha se estende de bebês de 11 meses a adultos de 59 anos, faixa que inclui gerações vacinadas em períodos de registro precário, quando a caderneta em papel era o único controle disponível.
As Secretarias de Saúde do estado e do município seguem atualizando o balanço de casos confirmados e suspeitos conforme os exames laboratoriais são concluídos.