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Haddad diz que Tarcísio deixou São Paulo 'de pires na mão'

Em comício em Guarulhos, o candidato do PT ao governo paulista acusou o adversário de ingratidão com Lula e citou BNDES e renegociação da dívida

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira, 18, em comício em Guarulhos, que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) deixou o estado "de pires na mão" e agiu com ingratidão em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As declarações foram divulgadas pelo Poder360.

Haddad comparou a situação atual das contas paulistas com o que viu em três décadas de vida pública e atribuiu ao governo federal a sustentação financeira do estado no período.

Eu nunca vi uma situação como a atual. Faz 30 anos que eu não vejo São Paulo de pires na mão, apesar do apoio que ele recebeu desse senhor aqui [Lula], que não faz distinção de religião, de partido político, de time de futebol e apoiou todos os governadores do Brasil igualmente e particularmente o Estado de São Paulo.

Na sequência, o candidato citou nominalmente duas medidas do governo federal que, segundo ele, beneficiaram a gestão estadual.

A ingratidão do Tarcísio com o que nós fizemos no governo federal, quadruplicar o financiamento do BNDES e renegociar a dívida de São Paulo, é obrigação do governo federal, mas a pessoa não precisava esconder isso da população, não precisava mentir para a população.

Haddad não apresentou números para sustentar a afirmação de que o financiamento do BNDES ao estado foi multiplicado por quatro, e a reportagem do Poder360 não traz valores. O candidato também comparou o tratamento dado por Lula a São Paulo com o do governo Jair Bolsonaro (PL) à gestão de João Doria, dizendo que o apoio do atual presidente foi mais de quatro vezes maior.

O que diz o outro lado

A reportagem que registrou o comício não traz resposta do governador às declarações feitas em Guarulhos. Tarcísio de Freitas, porém, já havia rebatido críticas de Haddad à política fiscal paulista em maio, em entrevista coletiva na sede do governo estadual.

Era só o que faltava o Haddad vir falar de política fiscal do Estado de São Paulo. Está de brincadeira. O cara que quebrou o Brasil vai falar do Estado de São Paulo? Eu teria vergonha.

Na ocasião, o governador afirmou que a gestão de Haddad no Ministério da Fazenda deixou uma alta de sete pontos na relação entre dívida e PIB e que o Brasil tem a segunda maior taxa real de juros do mundo. As declarações foram publicadas pelo InfoMoney.

A disputa em que a dívida virou tema

A renegociação citada por Haddad se dá no âmbito do Propag, o programa federal que permite aos estados reduzir os juros da dívida com a União em troca de contrapartidas patrimoniais e de investimento. São Paulo é o maior devedor da União entre os estados, o que faz das condições do acordo um item recorrente na campanha.

Em agosto, em fórum da Abdib, Tarcísio afirmou que São Paulo é o primeiro estado a sentir os efeitos de uma retração da economia, por concentrar a maior parte da atividade industrial e de serviços do país.

Haddad deixou o Ministério da Fazenda para disputar o governo paulista. Tarcísio busca a reeleição. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

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