Agronegócio

Exportações do agro à UE crescem 14,8% em seis meses de acordo com o Mercosul

Agrostat: o agro vendeu US$ 12,21 bi à União Europeia entre maio e setembro, alta de 14,8%. Veja soja, carnes, café e o que ainda limita o acesso.

As exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia somaram US$ 12,21 bilhões entre maio e setembro de 2026, alta de 14,8% em valor sobre o mesmo período de 2025, nos cinco primeiros meses de aplicação provisória do acordo Mercosul-União Europeia. Os dados são do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados neste domingo (1º), quando o acordo completa seis meses.

Em volume, os embarques chegaram a 17,74 milhões de toneladas, 8,1% a mais que as 16,42 milhões de toneladas de um ano antes. As importações brasileiras de produtos agropecuários europeus subiram bem menos: 3,3%, para US$ 1,67 bilhão. O superávit do setor com o bloco passou de US$ 9,01 bilhões para US$ 10,54 bilhões, avanço de 17%, segundo a nota do ministério.

Quais produtos puxaram a alta?

A soja segue como principal item da pauta. O complexo soja (grãos, farelo e óleo) foi de US$ 3,12 bilhões para US$ 4,19 bilhões, crescimento de 34,2% em valor e de 20,5% em volume. Só a soja em grãos subiu 49% em valor.

As exportações de carnes subiram 103,5% em valor e 170% em volume, de 101 mil para 272 mil toneladas. Outros números do Mapa:

  • produtos apícolas, principalmente mel: +367% em valor;
  • oleaginosas, exceto soja: +161%;
  • produtos florestais: de US$ 1,20 bilhão para US$ 1,48 bilhão (+23%);
  • frutas, nozes e castanhas: de US$ 274 milhões para US$ 315 milhões (+15%);
  • abacate: de US$ 3,81 milhões para US$ 19,87 milhões (+421,2%);
  • óleo de milho bruto: de US$ 35,31 milhões para US$ 129,35 milhões (+266,3%);
  • café torrado: +91,6% em valor; café solúvel: +19%.

O ministro da Agricultura, André de Paula, atribuiu o resultado à competitividade do setor. "O crescimento expressivo e a diversidade das exportações para a União Europeia demonstram a competitividade do agronegócio brasileiro", afirmou.

O que ainda limita o acesso ao mercado europeu?

O acordo foi assinado em 17 de janeiro e passou a valer de forma provisória em 1º de maio. A entrada em vigor definitiva depende da conclusão dos procedimentos de aprovação e ratificação nos dois blocos. A queda de tarifas é gradual: para os cafés, termina em 2030, e o primeiro corte do abacate foi de 20% da tarifa-base, também com liberalização completa prevista para 2030. Carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e sorgo têm condições preferenciais, em alguns casos sob cotas de importação.

O próprio Mapa ressalta que o acesso depende de exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade. Entre os desafios citados está o regulamento europeu sobre produtos livres de desmatamento (EUDR), que obriga as cadeias produtivas a se adequar às regras do bloco. O ministério não detalha, na nota, o efeito esperado da norma sobre os embarques.

A abertura europeia convive com a pressão sobre outros mercados do setor: a CNA calculou que a tarifa dos EUA atinge 36,5% das exportações do agro aos americanos, e o Senado já discutiu barreiras europeias à carne brasileira.