Segurança

Vorcaro troca de defesa e tenta delação premiada pela terceira vez

Ex-controlador do Banco Master contratou o criminalista Daniel Bialski e busca reabrir a negociação com a PGR, que considera as tratativas esgotadas

O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, ampliou a equipe de defesa e prepara uma terceira tentativa de acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). A informação foi divulgada pelo jornal Gazeta do Povo na quinta-feira, 13.

A contratação mais recente é a do criminalista Daniel Bialski, que já defendeu o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Ele passa a atuar ao lado de Sérgio Leonardo, advogado que acompanha o caso desde o início. A defesa pediu audiência com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master.

As duas propostas anteriores foram rejeitadas por investigadores. A primeira foi recusada em 21 de maio, e a segunda nos últimos dias. Nos dois casos, o argumento foi o mesmo: as versões apresentadas não trouxeram elementos de prova novos.

Vorcaro está preso desde março de 2026, na segunda prisão determinada no processo. Ele cumpre a detenção no Centro de Detenção Provisória conhecido como Papudinha, em Brasília.

A aposta na colaboração vem depois de a defesa não encontrar brechas para anular o processo, segundo a Gazeta do Povo. Com a via da nulidade fechada, a negociação de acordo passou a ser a alternativa restante para reduzir a pena em eventual condenação.

O que diz cada lado

A defesa afirma que o empresário está disposto a prestar esclarecimentos e a colaborar com as investigações. O objetivo declarado é reformular a proposta por completo, com informações que sejam efetivamente inéditas para os investigadores.

Na PGR, a percepção interna é de que as chances de negociação se esgotaram. Segundo a reportagem, não haveria disposição sequer para discutir uma terceira proposta. Os questionamentos apontados são a falta de assunção de responsabilidade pelo investigado e a ausência de informação nova nas versões apresentadas.

O pedido de audiência com o relator é a via que a defesa encontrou para levar o argumento diretamente ao Supremo, já que a negociação com a PGR e com a Polícia Federal está paralisada. A homologação de acordo de colaboração é decisão judicial, mas depende de proposta aceita pelo órgão de acusação, o que mantém a PGR como interlocutor obrigatório.

A avaliação da defesa é de que a janela para destravar a negociação se fecha ainda em agosto, antes que o calendário eleitoral influencie o andamento do caso. O acordo de colaboração depende de homologação judicial, etapa que cabe ao relator no Supremo.

Como fica o caso Master

O processo que apura a atuação do Banco Master corre no Supremo sob relatoria de André Mendonça. A investigação envolve operações financeiras da instituição e o patrimônio pessoal do ex-controlador. O Resenhando registrou a liquidação da Titan Capital nas Ilhas Cayman, ligada ao grupo.

A troca de advogado é a segunda mudança relevante na estratégia do empresário desde a prisão. A entrada de Bialski amplia a equipe em vez de substituí-la, e a busca por novas provas indica que a defesa tentará apresentar material que não constava das duas versões recusadas.

A delação premiada é prevista na Lei 12.850/2013 e exige que o colaborador entregue informações que permitam identificar coautores, recuperar valores ou prevenir novas infrações. Sem esses resultados, o acordo não se sustenta, mesmo que o investigado se disponha a falar.

O prazo também pesa contra o empresário. Cada recusa consome o valor da informação que ele teria a oferecer, porque a investigação avança por conta própria e o que era inédito em maio pode já constar dos autos em agosto. É o argumento que a acusação usa para sustentar que a negociação perdeu objeto.

Procuradas, a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal não comentaram publicamente a nova tentativa. A defesa de Daniel Vorcaro não divulgou o teor da proposta que pretende apresentar.

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