Segurança

Relatório atribui a ação policial 39% dos tiroteios em quatro regiões

Levantamento do Instituto Fogo Cruzado contabiliza 2.511 tiroteios e 1.628 mortes no primeiro semestre em Rio, Recife, Salvador e Belém

O Instituto Fogo Cruzado registrou 2.511 tiroteios entre janeiro e junho de 2026 nas quatro regiões metropolitanas em que atua, com 2.403 pessoas baleadas, sendo 1.628 mortas e 775 feridas. Os números constam do relatório semestral divulgado pela organização em 29 de julho e cobrem 57 municípios das áreas do Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Belém.

Segundo o levantamento, ações policiais responderam por 39% dos registros, o equivalente a 989 tiroteios, com 584 mortos e 317 feridos. No primeiro semestre de 2025, essa participação era de 33%. O total de tiroteios caiu na comparação entre os dois períodos, mas a fatia atribuída a operações policiais subiu seis pontos percentuais.

Os números por região

No Grande Rio, foram 976 tiroteios, com participação policial em 47% dos casos, o maior patamar registrado pela organização desde 2017. Em Salvador, o instituto contabilizou 656 tiroteios e apontou que 53% dos baleados foram atingidos em ações policiais. Belém teve 234 registros, com 45% ligados à atuação das forças de segurança.

O Grande Recife apresentou 645 tiroteios, com 60 registros em ações e operações policiais, o equivalente a 9% do mapeado, o menor percentual entre as quatro áreas. Ainda assim, é o maior número da série histórica local para esse tipo de ocorrência. A região também registrou 53 pessoas baleadas em assaltos, recorde no levantamento.

Os conflitos entre facções e milícias tiveram alta de 12% no número de vítimas, que passou de 181 para 203.

Metodologia e leitura dos dados

O relatório é produzido pelo Instituto Fogo Cruzado, organização da sociedade civil que mantém base aberta e colaborativa sobre violência armada. Os registros são coletados por três vias: informações enviadas por usuários pelo aplicativo e por redes sociais, acompanhamento da imprensa e dados públicos dos órgãos de segurança. As informações passam por checagem da equipe antes de entrarem na base.

A metodologia difere, portanto, das estatísticas criminais oficiais das secretarias estaduais, que partem de boletins de ocorrência registrados. Os percentuais de participação policial referem-se à presença de agentes de segurança no episódio, sem distinção sobre quem iniciou o confronto.

Terine Husek Coelho, gerente de Pesquisa do instituto, associa os números ao modelo de atuação adotado pelos estados.

"Há três décadas o Estado repete a mesma fórmula, um modelo de segurança pública incapaz de desarticular os grupos armados", afirmou.

O relatório não traz manifestação das secretarias de segurança pública dos quatro estados sobre os dados apresentados. Nenhuma delas havia divulgado nota de resposta ao levantamento até a publicação desta reportagem.

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