Segurança

PF prende no Rio suspeito de golpe que fez idosa perder R$ 37 milhões

Preso no Aeroporto Santos Dumont é apontado como dono de instituição financeira ligada à Operação Criptoabate, que apura fraude de até R$ 50 milhões

A Polícia Federal prendeu na sexta-feira, 14, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, um homem apontado como participante do esquema de fraude eletrônica que fez uma mulher de 70 anos perder mais de R$ 37 milhões. A informação foi divulgada pela Agência Brasil.

A prisão ocorreu no âmbito da Operação Criptoabate, deflagrada na quinta-feira, 13, pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. A ação tem como alvo uma estrutura montada em torno de uma falsa plataforma de investimentos, e o prejuízo total apurado até agora pode chegar a R$ 50 milhões.

O preso é natural de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, e mora em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Ele é apontado pela investigação como dono de uma instituição financeira ligada ao esquema e vai responder por estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Como funciona o golpe do abate

A investigação enquadra o caso na prática conhecida internacionalmente como pig butchering, o golpe do abate de porcos. O nome vem da lógica da fraude: engordar a vítima antes do abate. Os criminosos constroem uma relação de confiança ao longo de semanas ou meses, muitas vezes com o pretexto de mentorias financeiras, e só depois conduzem a vítima a aplicar em plataformas falsas com promessa de rentabilidade elevada.

O ponto que diferencia esse modelo do estelionato tradicional é o tempo de convivência. A vítima costuma acompanhar um painel que mostra o dinheiro rendendo, chega a fazer um saque pequeno no início, e por isso amplia os aportes. Quando tenta resgatar o valor cheio, a plataforma exige taxas adicionais ou simplesmente desaparece.

O perfil da vítima nesse caso segue o padrão do golpe. Pessoas idosas com patrimônio acumulado e menos familiaridade com aplicativos de investimento concentram os maiores prejuízos individuais, porque o valor disponível é alto e a checagem de cada operação depende de terceiros.

O que ainda está em apuração

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul conduz a investigação principal, e a Polícia Federal atuou na captura porque o suspeito circulava entre estados. O número de vítimas alcançadas pelo esquema e a extensão da rede de contas usadas para movimentar os valores seguem em levantamento.

A defesa do preso não havia se manifestado publicamente até a publicação desta reportagem. As informações divulgadas sobre a operação não especificam quem responde pelo suspeito nem se já houve pedido de revogação da prisão.

A prisão em aeroporto também indica o momento processual. Capturas feitas em terminal de embarque costumam decorrer de mandado já expedido com alerta nos sistemas de fiscalização, o que permite localizar o alvo quando ele apresenta documento no check-in. Foi o que ocorreu no Santos Dumont, terminal que concentra as pontes aéreas para São Paulo e Brasília.

Para quem foi lesado, o caminho prático é registrar a ocorrência, reunir os comprovantes de transferência e as conversas mantidas com os operadores da plataforma, e acionar o próprio banco. Nas fraudes que passam por Pix, existe o Mecanismo Especial de Devolução do Banco Central, mas ele só funciona enquanto o dinheiro permanece na conta do recebedor. Quando o valor já foi convertido em criptoativo, a via realista passa a ser a ação judicial e o bloqueio determinado pela Justiça.

Fraudes com plataformas falsas de investimento cresceram junto com a popularização dos criptoativos, que oferecem ao golpista uma camada extra de opacidade na hora de mover o dinheiro. Cada elo a mais na cadeia de transferências reduz a chance de recuperação, e é por isso que o rastreamento das contas costuma consumir mais tempo do inquérito do que a identificação dos operadores.

O Resenhando acompanha as investigações sobre crimes financeiros, como a apuração da PF e da CGU sobre R$ 97 milhões do instituto de previdência de Maceió. O caso Criptoabate segue sob condução da polícia gaúcha.

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