Presídios do Espírito Santo recebem drone e kit de varredura
Equipamentos somam cerca de R$ 724 mil e atendem sete unidades do complexo de Viana
O Ministério da Justiça e Segurança Pública entregou nesta quinta-feira, 13, um drone e um kit de varredura ao sistema prisional do Espírito Santo, no Complexo Penitenciário Rodrigo Figueiredo da Rosa, em Viana. Os equipamentos atendem sete unidades prisionais integradas ao complexo.
O drone é avaliado em cerca de R$ 146 mil. O kit de varredura, com valor aproximado de R$ 578 mil, tem entrega prevista até setembro. A ação é conduzida pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).
A entrega ocorreu no mesmo dia da Operação MUTE no estado, voltada à busca de aparelhos celulares dentro das unidades. Segundo os dados divulgados, 105 policiais penais foram mobilizados e 102 celas foram revistadas, sem que nenhum celular fosse encontrado.
"O Espírito Santo apresenta um resultado muito importante: não encontramos celulares nas unidades prisionais do estado", afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, segundo a Agência Gov.
O que já foi distribuído aos estados
O programa federal de modernização do sistema prisional alcança 138 unidades: 45 no Nordeste, 38 no Sudeste, 23 no Norte, 17 no Sul e 15 no Centro-Oeste. Até agora, 35 equipamentos de raio X foram destinados a Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Maranhão, Tocantins, Goiás e Mato Grosso.
A lista de equipamentos previstos inclui scanners corporais, georradares, drones, aparelhos portáteis de raio X, câmeras de inspeção para espaços ocultos, sistemas de áudio e vídeo para parlatórios e 27 viaturas-cela. O governo informa ainda 2.871 servidores capacitados em 17 estados.
"Estamos fortalecendo a capacidade de atuação dos estados a partir de informações de inteligência penal", disse o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia.
O secretário de Estado da Justiça do Espírito Santo, Nelson Merçon, afirmou que a operação "reforça uma realidade que já vem sendo construída no sistema prisional capixaba".
Por que a tecnologia entra pela via aérea
O drone atende a um problema específico: a entrega de material proibido por sobrevoo. Facções passaram a usar aeronaves não tripuladas para lançar celulares, drogas e armas dentro dos muros, o que tirou o gargalo da revista de visitantes e o transferiu para o espaço aéreo da unidade.
Celular dentro de presídio é o instrumento que permite a um líder preso comandar operação na rua. Por isso o bloqueio de sinal e a apreensão de aparelhos aparecem como indicador central nas operações federais.
O kit de varredura atua na outra ponta, a do que já entrou. O equipamento vasculha cela, colchão, parede e mobiliário atrás de aparelho escondido, trabalho que a revista manual faz de forma mais lenta e menos confiável. Somados, drone e varredura cobrem o antes e o depois: um vigia o perímetro aéreo, o outro procura o que passou por ele.
O restante da lista federal segue a mesma lógica de substituir procedimento manual por leitura técnica. Body scan e raio X substituem a revista física em visitante e em servidor. Georradar procura túnel. Câmera de inspeção alcança espaço oculto em parede e em forro. O sistema de áudio e vídeo em parlatório registra o atendimento e reduz a margem para repasse de ordem verbal.
O resultado divulgado no Espírito Santo, de zero celulares em 102 celas revistadas, é apresentado pelo governo como êxito. Ele também admite outra leitura: uma revista programada encontra menos do que uma revista de surpresa, e o número não mede o estoque de aparelhos que circula fora das celas vistoriadas.
Os dados de investimento por unidade e o cronograma completo de entrega aos 138 presídios não foram detalhados no comunicado oficial. Não há informação pública sobre quantos dos equipamentos previstos já estão em operação.
O custo total do programa também não foi divulgado. Somados os valores informados para o Espírito Santo, drone e kit de varredura chegam a cerca de R$ 724 mil para sete unidades prisionais.