Segurança

Operação da PF prende 724 foragidos por homicídio e feminicídio no país

Operação Omnes reuniu Polícia Federal, Ficco's e polícias estaduais entre maio e agosto e mirou condenados e investigados por crimes contra a vida

A Polícia Federal informou nesta quarta-feira, 12, que a Operação Omnes resultou na prisão de 724 foragidos da Justiça por crimes contra a vida em diferentes regiões do país. As prisões estão relacionadas a homicídio simples, homicídio qualificado e feminicídio.

A operação foi coordenada pela Polícia Federal e executada em conjunto com as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco's), com as polícias estaduais e com demais instituições parceiras. Segundo a corporação, os trabalhos se estenderam de maio a agosto deste ano.

As Ficco's são estruturas de atuação conjunta instaladas nos estados, que reúnem em um mesmo ambiente agentes da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, das polícias civis e militares e, em parte das unidades, de forças de inteligência estaduais. O desenho foi criado para dar resposta a crimes cujos autores se deslocam entre unidades da federação, situação recorrente em casos de foragidos.

A nota divulgada pela corporação não discrimina quantas prisões correspondem a cada um dos três tipos penais nem informa em quantas unidades da federação a operação foi executada. O número de mandados cumpridos também não foi detalhado. A Polícia Federal não divulgou declarações de autoridades sobre o balanço.

O que separa os três crimes citados

Os três tipos penais mencionados no balanço têm penas distintas. O homicídio simples é punido com reclusão de seis a vinte anos. O homicídio qualificado, que abrange situações como motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificulte a defesa da vítima, prevê reclusão de doze a trinta anos.

O feminicídio deixou de ser uma qualificadora do homicídio e passou a constituir tipo penal autônomo, com pena de reclusão de vinte a quarenta anos, alteração promovida pela Lei 14.994, de 2024. A configuração exige que o crime tenha sido praticado contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, o que inclui a violência doméstica e familiar e o menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

A distinção importa para a leitura do balanço: os 724 presos formam um conjunto que reúne condenados e investigados por condutas com gravidade e regime de cumprimento diferentes entre si, e a nota não permite dimensionar o peso de cada faixa.

O que a nota não informa

Operações de captura de foragidos têm ciclo próprio e dependem do cruzamento de mandados em aberto com bases de dados de localização. O intervalo de quatro meses citado pela Polícia Federal indica um trabalho contínuo, e não uma ação deflagrada em data única, formato mais comum em operações de combate a organizações criminosas.

Sem a abertura por estado, o balanço não permite comparação com as séries estaduais de prisões nem com os dados de inquéritos de homicídio em andamento. Também não é possível verificar quantos dos presos estavam foragidos após condenação definitiva e quantos respondiam a mandados de prisão preventiva, distinção que altera o destino imediato de cada um no sistema penitenciário.

Os números de crimes contra a mulher seguem sob acompanhamento nos estados, como mostram os 142 feminicídios registrados em São Paulo no primeiro semestre de 2026.

A captura de foragidos depende de um insumo específico: o mandado de prisão em aberto registrado no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões, mantido pelo Conselho Nacional de Justiça. É desse cadastro que saem as listas usadas nas operações, e é ele que permite a uma força policial de um estado identificar que a pessoa abordada é procurada em outro.

O modelo das Ficco's foi desenhado justamente para reduzir a fricção entre as bases estaduais. Antes da integração em unidades fixas, o compartilhamento de informação dependia de solicitação formal entre corporações, procedimento que consome tempo e favorece o deslocamento de quem está sendo procurado.

A Polícia Federal não informou se haverá divulgação posterior com o detalhamento por unidade da federação. O balanço completo, quando publicado, é que permitirá aferir o alcance da operação em cada estado.

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