Justiça de SP revoga tornozeleira de investigada por lavagem para o PCC
Karen de Moura Tanaka Mori terá de entregar o passaporte em cinco dias e comparecer mensalmente ao juízo
A Justiça de São Paulo revogou a tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar noturno impostos a Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como Japa do PCC e investigada por lavagem de dinheiro para a facção. A decisão é deste domingo, 2, e foi assinada pela juíza Paula Regina Schempf Cattan, da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles.
No lugar das duas medidas revogadas, a magistrada fixou outras restrições. Karen terá de entregar o passaporte em cinco dias, comparecer mensalmente ao juízo e está proibida de deixar o estado de São Paulo sem autorização judicial. A retirada do equipamento de monitoramento só ocorre depois da entrega do documento.
Ela está em prisão domiciliar desde 2024. Em janeiro deste ano, a Justiça paulista havia negado pedido semelhante feito pela defesa, que sustentava que o uso contínuo da tornozeleira funcionava como antecipação de pena.
O que apura a investigação
Karen é viúva de Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro, apontado pelas autoridades como um dos principais integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação apura a suspeita de que ela tenha movimentado cerca de R$ 35 milhões oriundos do tráfico de drogas da facção por meio de empresas do setor de beleza e de companhias de fachada.
Segundo o inquérito policial, a atuação se concentrou em cidades da Baixada Santista, entre elas Santos, Cubatão e Guarujá, além da capital paulista.
Na mesma decisão, a juíza determinou que a polícia apresente em 30 dias a atualização do andamento das apurações, incluindo o resultado da perícia nos celulares apreendidos. Não há denúncia formal apresentada contra ela até o momento, o que mantém o caso na fase de investigação.
A defesa afirma que vai demonstrar a origem lícita dos recursos quando a acusação for formalizada. O Ministério Público de São Paulo não havia se manifestado publicamente sobre a revogação até a publicação desta reportagem.
Medidas cautelares e o rito do caso
A substituição de medidas cautelares é decisão do juízo responsável pelo caso e pode ser revista a qualquer momento, inclusive com o retorno do monitoramento eletrônico, caso a investigada descumpra alguma das obrigações fixadas. O Código de Processo Penal prevê que essas restrições sejam proporcionais à necessidade de garantir a instrução do processo e a aplicação da lei penal.
A Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores é a unidade especializada do Tribunal de Justiça de São Paulo que concentra a fase de investigação em processos relacionados a facções e a crimes financeiros.