Segurança

Justiça bloqueia R$ 327 milhões ligados ao CV por controle do gás de cozinha no Rio

MPRJ denuncia 12 do Comando Vermelho por controlar a venda de botijões em comunidades do Rio; Justiça bloqueia mais de R$ 327 milhões.

Neste texto3 tópicos
  1. Quem está entre os denunciados
  2. Como o esquema funcionava
  3. Outras coberturas sobre o Comando Vermelho

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou nesta quarta-feira, 28, 12 integrantes do Comando Vermelho (CV) acusados de controlar a venda de botijões de gás de cozinha em comunidades da região metropolitana do Rio, e obteve da Justiça o bloqueio de mais de R$ 327 milhões ligados aos denunciados e às empresas usadas no esquema. As informações são da Agência Brasil.

A denúncia partiu do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ. O bloqueio foi decidido pela 2ª Vara Criminal Especializada da Capital, que também expediu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, cumpridos por equipes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD).

Quem está entre os denunciados

Entre os 12 denunciados está Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como a principal liderança do CV em liberdade no Rio. Segundo a Agência Brasil, ele comanda as ações da facção no Complexo do Alemão.

O MPRJ afirma que o esquema tinha estrutura organizada, com funções definidas e comunicação permanente entre os integrantes. A Agência Brasil não registrou manifestação da defesa dos denunciados até a publicação.

Como o esquema funcionava

As investigações começaram depois que o dono de um depósito de gás na comunidade Vai Quem Quer, em Duque de Caxias, denunciou à polícia ameaças de morte e de sequestro. Segundo as investigações, o grupo obrigava os comerciantes a comprar gás só de uma distribuidora indicada pela facção ou a pagar uma taxa mensal ao tráfico para continuar trabalhando.

O esquema funcionou entre 2024 e 2025 em comunidades de Duque de Caxias, São Gonçalo, Niterói e da capital fluminense. De acordo com a denúncia, os moradores dessas áreas eram obrigados a comprar o botijão apenas nos pontos apontados pelos traficantes, mesmo com preço acima do praticado. A acusação diz que as ameaças tinham três objetivos: eliminar a concorrência, impor condições comerciais favoráveis ao grupo e garantir pagamentos periódicos à organização.

A Agência Brasil não detalha, sobre os R$ 327 milhões bloqueados, como o MPRJ chegou ao valor nem quanto corresponde a cada denunciado ou empresa. Os crimes imputados também não constam no texto, e a denúncia ainda precisa ser analisada pela Justiça, que decide se a recebe e abre a ação penal.

Outras coberturas sobre o Comando Vermelho

O Resenhando já tratou do dinheiro do Comando Vermelho em outras frentes, como a operação sobre lavagem de R$ 11 milhões da facção no Rio, e a possível aliança entre CV e PCC. Na denúncia de agora, o foco é o mercado do botijão de gás.