Política

Zanin arquiva inquérito sobre ministro do STJ em caso de venda de decisões

Decisão acolhe manifestação da PGR, que não viu justa causa para abrir inquérito criminal contra Og Fernandes

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin determinou nesta sexta-feira, 31, o arquivamento da apuração que investigava o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Og Fernandes por suspeita de participação em um esquema de venda de decisões judiciais. A decisão acolheu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, sustentou que não havia "justa causa para eventual abertura de inquérito criminal" e que faltava a "densidade probatória necessária" para justificar novas medidas de investigação.

A apuração nasceu da Operação Sisamnes, da Polícia Federal, que investiga um suposto mercado de decisões judiciais envolvendo magistrados, advogados e empresários. O ponto de partida foram dados extraídos do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023.

O que a investigação apurou

A suspeita levantada no material era de que o então chefe de gabinete do ministro, Rodrigo Falcão de Oliveira Andrade, funcionasse como intermediário em negociações. A PGR concluiu que a hipótese não se confirmou.

Segundo a Gazeta do Povo, a análise financeira mostrou movimento em sentido oposto ao da acusação: Og Fernandes transferiu R$ 92,6 mil ao empresário Fernando Queiroz, e não o contrário. O parecer também registrou que decisões proferidas pelo ministro contrariavam interesses do grupo Cornélio Brennand, citado na investigação.

Na manifestação encaminhada ao Supremo, Gonet escreveu:

"Mesmo após a prolongada investigação, não emergiu fato que denote o recebimento de vantagem indevida em razão da função desempenhada pelo Ministro Og Fernandes."

Ministro de tribunal superior tem foro por prerrogativa de função no STF, o que significa que qualquer inquérito criminal contra ele depende de autorização da Corte e corre sob supervisão de um relator, no caso Zanin. Sem pedido de abertura pela PGR, titular da ação penal, o material é arquivado.

Como fica o caso

O arquivamento vale para a apuração relativa a Og Fernandes. A Operação Sisamnes, que apura o suposto esquema em outras frentes, não foi encerrada pela decisão.

Arquivamento por falta de justa causa não produz coisa julgada. Se surgir prova nova, a PGR pode requerer a reabertura, procedimento previsto no Código de Processo Penal.

Og Fernandes integra o STJ desde 2008, indicado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Procurada, a defesa do ministro não havia se manifestado publicamente sobre o arquivamento até a publicação desta reportagem. O STJ também não divulgou nota sobre a decisão.

A íntegra do despacho não estava disponível no acompanhamento processual público até a publicação deste texto. A informação sobre o arquivamento foi divulgada inicialmente por veículos que tiveram acesso ao teor da decisão, entre eles a Gazeta do Povo e o Metrópoles.

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