Política

Paulinho da Força desmente fala de Lula sobre a reforma trabalhista

Deputado afirma que classificou como grave mentira a declaração dada pelo presidente na convenção nacional do PT

O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP) classificou como grave mentira a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que ele teria apoiado a reforma trabalhista aprovada no governo de Michel Temer. A resposta veio nesta segunda-feira (3), um dia após a convenção nacional do PT.

Na convenção, realizada no domingo (2), Lula afirmou que Temer teve coragem de enfraquecer ainda mais a legislação trabalhista com o apoio de Paulinho da Força Sindical, e acrescentou que o deputado iria pedir votos aos presentes naquele momento.

Paulinho contestou a versão em nota publicada sob o título "A mentira de Lula na convenção nacional do PT". No texto, ele afirmou: "considero absolutamente desleal que o presidente da República se refira a mim desta forma, com mentiras".

As datas citadas pelo deputado

Para sustentar a resposta, o parlamentar recorreu a dois episódios de 2017, ano em que a reforma trabalhista tramitou no Congresso. Ele afirma ter criticado Temer em 1º de maio daquele ano, durante ato do Dia do Trabalho.

O segundo episódio é um discurso na Câmara dos Deputados em 10 de maio de 2017, no qual, segundo ele, pediu que o Senado corrigisse equívocos impressionantes do PL 38/2017, número com que o texto da reforma tramitou na Casa.

A reforma trabalhista foi aprovada pelo Congresso em julho de 2017 e sancionada por Temer no mesmo mês, com entrada em vigor em novembro daquele ano. A lei alterou pontos como jornada, terceirização, acordos coletivos e contribuição sindical, item que atingiu diretamente as centrais.

Paulinho da Força presidiu a Força Sindical no período e é um dos nomes mais conhecidos do sindicalismo brasileiro fora do campo petista. Ele apoiou Lula na eleição de 2022 e rompeu com o governo ao longo do mandato.

Do apoio em 2022 ao rompimento

Paulinho apoiou Lula na eleição de 2022 e ajudou a compor a base do governo no início do mandato. A relação se desgastou ao longo dos anos seguintes, e o Solidariedade migrou para o campo de oposição.

O deputado tem defendido a reeleição de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo, movimento que coloca o partido em rota direta de colisão com o PT no maior colégio eleitoral do país. A convenção petista, realizada no domingo, foi o palco em que Lula fez a referência ao aliado de outrora.

A disputa em torno da reforma trabalhista tem peso simbólico para os dois lados. Para o PT, a lei de 2017 é o marco de perda de direitos que o partido promete rever. Para lideranças sindicais que negociaram pontos do texto, a leitura corrente é a de que houve tentativa de reduzir danos em um Congresso que aprovaria a reforma de qualquer forma.

O fim da contribuição sindical obrigatória, incluído na reforma, atingiu diretamente o financiamento das centrais, entre elas a Força Sindical. Esse é um dos motivos pelos quais a atribuição de apoio ao texto tem custo político no meio sindical.

Não há manifestação do PT nem do Planalto sobre a resposta do deputado até a publicação desta reportagem.

O Resenhando cobriu a convenção nacional do PT realizada no domingo, evento em que a declaração foi dada.

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