Política

Moraes nega pedido para que os filhos visitem Bolsonaro no Dia dos Pais

Ministro considerou o pedido prejudicado porque decisão anterior já suspendeu as visitas ao ex-presidente, salvo as de médicos, fisioterapeutas e advogados

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes negou o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para que os filhos Flávio, Carlos e Jair Renan pudessem visitá-lo neste domingo (9), Dia dos Pais, no cumprimento da prisão domiciliar em Brasília.

Na decisão, o ministro afirmou que a solicitação está prejudicada. Segundo Moraes, salvo as visitas permanentes de médicos, fisioterapeutas e advogados, as demais estão suspensas por determinação anterior, e autorizar a entrada dos filhos contrariaria essa decisão.

O que a defesa havia pedido

O pedido foi protocolado nesta semana e tratava de autorização em caráter excepcional. Os advogados solicitaram que o encontro ocorresse por breve período e nas condições que o ministro entendesse cabíveis, sem detalhar duração ou formato.

Dos três filhos citados, dois ocupam mandato: Flávio Bolsonaro é senador pelo Rio de Janeiro e disputa a Presidência da República nas eleições de outubro; Carlos Bolsonaro é vereador no Rio de Janeiro. Jair Renan não tem cargo eletivo.

Por que as visitas estão suspensas

A restrição decorre de decisões tomadas ao longo das últimas semanas. Moraes suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio ao pai depois que o parlamentar divulgou nas redes sociais uma carta escrita por Bolsonaro, na qual o ex-presidente o designava como porta-voz na disputa eleitoral. Em seguida, após nova carta ser lida por Flávio no Instagram, o ministro estendeu a suspensão às demais visitas por 30 dias.

O entendimento do ministro é que as visitas vinham sendo usadas como canal de comunicação política, o que descumpre as medidas cautelares impostas ao ex-presidente. Permanecem liberados os atendimentos de saúde e o contato com a defesa.

A sequência de decisões

A restrição às visitas foi construída em etapas, cada uma respondendo a um episódio específico. A primeira alcançou apenas o senador Flávio Bolsonaro e teve prazo de 90 dias. A segunda, mais ampla, atingiu todo o rol de visitantes e vale por 30 dias, mantendo de fora somente os atendimentos de saúde e o contato com os advogados.

Em ambos os casos, o argumento apresentado pelo relator foi o mesmo: o uso do encontro presencial para produzir e distribuir conteúdo político, em desacordo com as cautelares fixadas. As cartas divulgadas nas redes sociais, lidas por Flávio, foram o elemento citado nas duas ocasiões.

Antes do pedido do Dia dos Pais, a defesa já havia tentado reverter a suspensão que atinge o senador. O recurso foi rejeitado. O pedido desta semana pediu tratamento excepcional para uma data específica, e não a revogação da medida, mas esbarrou no mesmo fundamento.

O contexto da prisão domiciliar

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por descumprimento de medidas cautelares fixadas no âmbito das investigações conduzidas pelo STF. A defesa apresentou recursos contra as restrições ao longo do período, incluindo pedidos para retomada das visitas de Flávio, negados pelo relator.

Não há informação nos autos sobre novo recurso contra a decisão desta semana.

Uma restrição com efeito eleitoral

O bloqueio das visitas atinge diretamente o principal canal de comunicação entre o ex-presidente e a campanha do filho. Flávio Bolsonaro disputa a Presidência da República em outubro, e a leitura pública de cartas escritas pelo pai vinha funcionando como recurso de mobilização junto à base eleitoral.

Ao vedar o encontro presencial e manter apenas médicos, fisioterapeutas e advogados, a decisão fecha o caminho pelo qual esse material chegava às redes sociais. O prazo de 30 dias da suspensão geral alcança o período em que os partidos concluem os registros de candidatura, marco que encerra a fase de definição das chapas.

O que fica valendo

Com a negativa, o Dia dos Pais transcorre sob o regime já em vigor: atendimento médico e fisioterápico autorizado, contato com advogados preservado e demais visitas suspensas até o fim do prazo estipulado. Qualquer alteração depende de nova decisão do relator ou de deliberação da Primeira Turma do Supremo, colegiado que analisa os recursos ligados ao caso.

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