Lula levará à COP31 queda do desmatamento e 49,5% de renováveis na matriz
Lula discursa duas vezes na COP31, dia 11, e deve citar menos desmatamento, 49,5% de renováveis na matriz e corte de 9% nas emissões líquidas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursa duas vezes na COP31, em Antália, na Turquia, a partir de quarta-feira, 11. O governo quer levar números sobre menos desmatamento, 49,5% de fontes renováveis na matriz energética e corte de 9% nas emissões líquidas de CO₂, segundo o Itamaraty.
A 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31) acontece de 9 a 20 de novembro. Lula participa da Cúpula de Líderes, nos dias 11 e 12, e deve sair de Brasília na manhã de segunda-feira, 9, com chegada a Antália na madrugada do dia 10. Depois da conferência, segue para as Filipinas, onde participa da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), como o Resenhando noticiou.
O que o governo pretende mostrar
A primeira fala será na cerimônia de abertura, reservada a poucos chefes de Estado, no dia 11, ao meio-dia. A segunda, mais curta, de cerca de três minutos, está prevista para as 17h do mesmo dia, na parte da conferência aberta a todos os países. Para integrantes do Itamaraty, ouvidos pela Agência Brasil, ser um dos primeiros oradores é sinal de prestígio do país na agenda ambiental.
Os números previstos para o discurso:
- queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado;
- economia de R$ 1,16 trilhão associada à preservação ambiental;
- 49,5% de fontes renováveis na matriz energética em 2025, pelo Balanço Energético Nacional, contra média mundial de 14,5%;
- mais de 80% de renováveis na matriz elétrica, com 51,2% vindos de hidrelétricas;
- redução de 9% na emissão líquida de CO₂.
Lula também deve citar a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do país, que prevê cortar entre 59% e 67% das emissões de gases de efeito estufa até 2035.
Os números do governo e os de fora
As cifras partem de integrantes do governo. Alguns têm medição independente: o Inpe registrou, em agosto, queda de 36,87% no desmatamento da Amazônia, o menor desde 2016. Já o SEEG, do Observatório do Clima, mostrou em outubro que o total bruto de emissões do país recuou 6% em 2025, para 2,06 bilhões de toneladas, e que a agropecuária ficou estável em 626 milhões. A medição do corte de 9% nas emissões líquidas, citada pelo governo, não foi detalhada nas reportagens consultadas.
Entre os dois discursos, Lula deve participar de encontro do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) com Noruega, Reino Unido e Holanda, que vai oficializar aporte de US$ 500 milhões ao fundo.
Mais de 15 líderes pediram reunião bilateral com o presidente, segundo o Itamaraty. Cada pedido está em análise e a confirmação depende da agenda da conferência. Se ocorrerem, os encontros devem ser marcados para a manhã de quinta-feira, 12, no horário turco. Um dos prováveis é com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anfitrião da COP31.
Os detalhes da agenda vêm do Itamaraty e também foram publicados pelo Jornal de Brasília. A programação oficial da conferência está no site da Convenção do Clima da ONU.