Economia

Governo planeja 113 leilões de infraestrutura até 2030 e mais de R$ 474 bi em investimentos

Carteiras de Transportes, Portos e Minas e Energia somam 113 leilões entre 2027 e 2030, com mais de R$ 474 bilhões; ferrovias e hidrovias são o gargalo.

O governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja realizar ao menos 113 leilões de infraestrutura, energia e transportes entre 2027 e 2030, com investimentos previstos acima de R$ 474 bilhões. Os números são de um levantamento do Poder360, publicado neste sábado (7), a partir das carteiras e dos cronogramas divulgados pelos ministérios dos Transportes, de Portos e Aeroportos e de Minas e Energia.

A soma inclui concessões de rodovias, ferrovias, terminais portuários, aeroportos, hidrovias e linhas de transmissão de energia. Ficam de fora os leilões de potência elétrica, para os quais não há estimativa de investimento divulgada.

O que cada ministério prevê

No Ministério dos Transportes, comandado por George Santoro, a carteira tem 36 leilões de rodovias e 18 de ferrovias. Para 2027, a meta é atrair R$ 102,68 bilhões com 11 leilões rodoviários e R$ 160 bilhões na malha ferroviária, por chamamentos públicos ou concessões.

A pasta de Portos e Aeroportos, do ministro Tomé Franca, projeta até R$ 161,5 bilhões em terminais portuários, aeroportos e hidrovias no ciclo, somando obras públicas, concessões, autorizações, linhas de crédito e financiamentos. A carteira portuária prevê 34 leilões (R$ 20,6 bilhões) e 70 autorizações de terminais privados, com R$ 33 bilhões estimados. Nas hidrovias, a meta é fazer até seis concessões em 2027, as primeiras da história do setor.

O Ministério de Minas e Energia inclui sete leilões de transmissão entre 2027 e 2029. Três deles ficam para o ano que vem, com R$ 50 bilhões estimados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Há ainda 11 leilões de reserva de capacidade, três com possibilidade de uso de baterias. Os preços-teto serão definidos depois pelo ministério e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

No último leilão de transmissão do ano, em 30 de outubro, o governo contratou R$ 8,9 bilhões em linhas, mesmo depois da alta do dólar e dos juros futuros que se seguiu à eleição. Quatro grupos espanhóis e um português venceram. As concessões duram 30 anos.

Onde estão os obstáculos

As ferrovias formam o cenário mais difícil: a carteira inicial de oito projetos não saiu do papel em 2026. O Ministério dos Transportes apresentou os projetos a investidores na China e em Londres e anunciou mecanismos de financiamento para dividir os custos com a iniciativa privada, a partir do diagnóstico de que será preciso combinar recursos públicos e privados.

Nas hidrovias, o andamento depende de consultas e audiências públicas, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e do Tribunal de Contas da União (TCU). O governo recuou de um projeto no Rio Tapajós em 2026 após questionamentos de comunidades locais sobre impactos ambientais e sociais.

Marcos Ganut, head de infraestrutura da consultoria Alvarez & Marsal, disse ao Poder360 que juros e cenário macroeconômico pesam nas decisões de investimento e que há “um pouco de ansiedade” no setor sobre a direção fiscal do governo. Segundo ele, trechos menores e com cargas pontuais funcionam melhor em concessão, e o governo deve ter dificuldade para leiloar trechos longos. Em rodovias, o levantamento aponta de quatro a cinco empresas consolidadas e a dúvida sobre quanto elas conseguem absorver de novos ativos.

Nos aeroportos, o maior projeto do ciclo é a repactuação de Viracopos (SP), com potencial de destravar R$ 1,5 bilhão. O governo negocia com o TCU o passivo de litígios do terminal, como fez com Guarulhos, Galeão e Brasília. O Aeroporto de Brasília será oferecido de novo ao mercado em 17 de dezembro, segundo o Poder360. O desafio, segundo o levantamento, é encontrar saída para uma carteira de 59 aeroportos regionais.

O governo também terá troca relevante no comando das pastas responsáveis pelos projetos, apesar da reeleição. Para Ganut, o setor de infraestrutura não deveria mudar de rota a cada transição, porque concessões de 30 anos atravessam vários governos.