Girão diz que Alcolumbre trava a CPI do Master por conflito de interesse
Senador do Novo aponta vínculos do presidente do Senado com a Amprev, que aplicou R$ 400 milhões no banco, e leva o caso ao Conselho de Ética
O senador Eduardo Girão (Novo-CE), candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema (Novo), afirmou nesta terça-feira, 25, que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), trava a instalação da CPI do Banco Master por conflito de interesses com a Amapá Previdência (Amprev), fundo de pensão dos servidores do estado que aplicou recursos no banco. A declaração foi dada ao Poder360.
Girão apontou dois vínculos. Alberto Alcolumbre, irmão do presidente do Senado, é conselheiro fiscal da Amprev. E Jocildo Silva Lemos, que presidiu a autarquia, foi tesoureiro de campanha de Davi Alcolumbre.
Segundo o senador, a Amprev aplicou R$ 400 milhões em papéis do Banco Master, sendo R$ 100 milhões em uma operação aprovada com procedimento que ele classifica como atípico. O parlamentar disse ter apresentado, ao lado do partido Novo e de Zema, uma representação no Conselho de Ética do Senado contra o presidente da Casa.
"Conflito de interesses", afirmou Girão ao justificar a representação apresentada contra Alcolumbre.
Onde está parado o requerimento da CPI
O requerimento de criação da comissão parlamentar de inquérito reúne 53 assinaturas, quase o dobro das 27 necessárias para a abertura de uma CPI no Senado. Pelo Regimento Interno, cabe ao presidente da Casa ler o requerimento em plenário e determinar a criação da comissão, passo que ainda não foi dado.
O Banco Master teve a liquidação decretada pelo Banco Central e é alvo de inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), com o banqueiro Daniel Vorcaro preso. A instituição vendia Certificados de Depósito Bancário e Letras Financeiras com juros acima da média do mercado, papéis comprados por regimes próprios de previdência de estados e municípios.
Procurada pelo Poder360, a assessoria de Davi Alcolumbre informou que ele não comentará o assunto. A Amprev divulgou nota em fevereiro de 2026 em que afirma ter sido prejudicada pelos problemas do Banco Master.
A Constituição, no artigo 58, prevê que a CPI investigue fato determinado, por prazo certo, com poderes de investigação próprios de autoridade judicial. A comissão pode quebrar sigilos bancário, fiscal e telefônico por decisão da maioria, convocar testemunhas e requisitar documentos, mas não pode decretar prisão fora de flagrante nem determinar busca domiciliar.
A representação no Conselho de Ética segue outro rito. O colegiado analisa primeiro a admissibilidade e, se abrir processo, apura a conduta com direito a defesa. As penas previstas vão da advertência à perda do mandato, decidida em plenário por maioria absoluta.
A previdência pública na conta do Master
Regimes próprios de previdência de outros entes também aparecem na lista de credores. Nesta terça, a Polícia Federal deflagrou operação em Campo Grande para apurar a aplicação de R$ 1,2 milhão do instituto de previdência municipal em Letras Financeiras do banco, com seis mandados de busca autorizados pela 3ª Vara Federal.
A Secretaria de Regimes Próprios de Previdência Social, ligada ao Ministério da Previdência, mantém auditorias sobre esse tipo de aplicação. Os fundos municipais e estaduais têm regra de enquadramento definida pelo Conselho Monetário Nacional, que limita a exposição a papéis de instituições privadas conforme o porte e a classificação de risco.
Girão integra o grupo de senadores que cobra a instalação da comissão desde que o requerimento reuniu as assinaturas necessárias. O texto segue sem leitura em plenário, etapa que depende do presidente da Casa.
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A representação apresentada por Girão e pelo Novo ainda precisa ser distribuída no Conselho de Ética, que decide se instaura processo contra o senador citado. Não há prazo regimental fixo para essa análise preliminar.