Política

Flávio pede investigação do diretor-geral da PF por suposto uso político da corporação

Notícia-crime cita anúncio de apuração sobre interferência dos EUA no dia do 1º turno; PF arquivou o procedimento preliminar em 7 de outubro

Neste texto4 tópicos
  1. O que Rodrigues disse no dia
  2. A sequência dos fatos
  3. O contexto da suspeita
  4. O outro lado

A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, apresentou no domingo, 11 de outubro, uma notícia-crime contra o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Segundo a Gazeta do Povo, o pedido sustenta que ele usou a corporação para beneficiar o PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição.

O ponto central é o anúncio, no dia da votação do 1º turno, de uma apuração sobre suposta interferência dos Estados Unidos na eleição de 2026. Os advogados de Flávio afirmam que a lei veda o uso de órgãos públicos para favorecer organizações políticas e que o anúncio teve impacto político sem que houvesse evidência. "Se não havia o que apurar, restava apenas o que divulgar", diz um trecho da peça, conforme a reportagem.

O que Rodrigues disse no dia

Em entrevista coletiva no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional, Rodrigues afirmou haver uma investigação preliminar em andamento, sem decreto de inquérito publicado. Na mesma ocasião, segundo a Gazeta do Povo, ele declarou que não havia "nenhum indicativo concreto de interferência internacional".

A sequência dos fatos

Em 1º de outubro, a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou uma representação com base em reportagem do jornal britânico The Guardian, que dizia que o Departamento de Estado dos EUA avaliava destinar US$ 1 milhão a um programa para o Brasil. O valor ainda estava em deliberação, e nenhum recurso havia sido transferido.

Em 4 de outubro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, disse que a Corte não recebera indicativo concreto de interferência internacional. A Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou o pedido da AGU por falta de indícios mínimos; a reportagem não informa a data. Em 7 de outubro, a PF arquivou o procedimento preliminar por falta de justa causa, depois de análises da Diretoria de Inteligência Policial e da Corregedoria.

O contexto da suspeita

O tema não surgiu na semana da votação. O Resenhando já havia noticiado que a Abin via risco crítico de interferência dos EUA na eleição, em relatório sobre ameaças ao processo eleitoral. O foco da notícia-crime, segundo a reportagem, é o anúncio feito no dia da votação.

O outro lado

A Gazeta do Povo procurou Rodrigues por meio da assessoria da PF e não recebeu resposta até a publicação. O espaço segue aberto para manifestação do diretor-geral e da corporação.

O Resenhando não localizou, até o fechamento deste texto, nota da PF sobre o pedido. A notícia-crime é uma comunicação de possível ilícito e não equivale a abertura de inquérito. Cabe aos órgãos competentes decidir se há motivo para apurar. O 2º turno está marcado para 25 de outubro.