Política

CGU vê risco de desperdício em compra de 63,8 mil computadores dos Correios

Estatal que perdeu R$ 5,5 bilhões no semestre exige 32 GB de RAM em todas as máquinas e esconde o valor estimado

Neste texto3 tópicos
  1. O que a CGU questiona no edital
  2. O limite do relatório
  3. A conta da estatal

Os Correios abriram um pregão para comprar 63.815 microcomputadores e mantiveram em sigilo o valor estimado da compra. A Controladoria-Geral da União (CGU) examinou o edital e registrou risco de desperdício de dinheiro público, segundo reportagem da Veja reproduzida pela Revista Oeste neste domingo (25). A estatal fechou o primeiro semestre com prejuízo de R$ 5,5 bilhões.

O processo é o Pregão Eletrônico nº 26000215/2026, feito por Sistema de Registro de Preços. No relatório, a CGU escreve que o valor estimado aparece como "informações suprimidas por solicitação dos Correios, classificadas sob restrição de acesso, na forma da Lei nº 13.303/2016". A abertura do certame estava prevista inicialmente para 26 de junho de 2026.

O que a CGU questiona no edital

O ponto central é a configuração exigida. Os Correios definiram, como requisito mínimo para todas as máquinas, 32 GB de memória RAM DDR5 e SSD NVMe de 480 GB ou superior. Para a CGU, os documentos de planejamento e os esclarecimentos apresentados até aquele momento "não demonstravam, de forma objetiva, que essa configuração seria necessária para a totalidade dos postos de trabalho".

O órgão liga o padrão elevado ao custo. "A adoção de configurações superiores implica, naturalmente, em preços mais elevados de aquisição", diz o relatório. Em compra desse volume, acrescenta, "o impacto financeiro é substancial", e a opção mais cara deve vir com justificativa técnica detalhada, que explique por que perfis intermediários não bastariam.

O limite do relatório

As conclusões da CGU são gerais. A própria reportagem informa que o documento saiu de um sistema automatizado de análise, e não de auditores designados para investigar eventual irregularidade na compra. Nada no que foi divulgado aponta superfaturamento ou desvio. O que existe é uma ressalva sobre falta de justificativa para a especificação e sobre o sigilo do preço.

Também não há, nas publicações consultadas, manifestação dos Correios sobre o relatório. Esta reportagem não teve acesso ao edital completo, e o valor estimado segue oculto.

A conta da estatal

O contraste está no caixa. De acordo com a reportagem, a empresa fechou o semestre com perda de R$ 5,5 bilhões, buscou cerca de R$ 20 bilhões em empréstimos e recebeu aporte de R$ 6 bilhões da União. O Resenhando já noticiou a negociação de um empréstimo de R$ 7 bilhões com aval da União, e o encerramento da greve da categoria, com reajuste de 4,09% definido pelo TST.

Como o dinheiro da União entra na empresa, a compra interessa a quem paga imposto. A estatal classificou o valor estimado como restrito com base na Lei 13.303. O preço final da licitação não aparece nas publicações consultadas, e é ele que dará a primeira medida do gasto.