Correios negociam empréstimo de R$ 7 bilhões com aval da União
Operação com consórcio de bancos deve ser concluída nesta terça, com desembolso em duas parcelas e parte da conta transferida ao próximo governo
O governo federal negocia um empréstimo de R$ 7 bilhões para reforçar o caixa dos Correios, com conclusão esperada para esta terça-feira, 15. A operação é estruturada por um consórcio de bancos e será desembolsada em duas parcelas, uma neste ano e outra no próximo, o que transfere parte da conta para o próximo governo. As informações foram publicadas nesta segunda-feira, 14, pela Gazeta do Povo, com base em apuração do Valor Econômico.
Segundo a SpaceMoney, o consórcio reúne três instituições estrangeiras, Citibank, J.P. Morgan e Deutsche Bank, além do Banrisul. Como o desembolso é fracionado, a estatal precisará usar recursos próprios para manter a operação no curto prazo. As demonstrações contábeis do segundo trimestre mostram disponibilidade de R$ 4,9 bilhões em caixa e aplicações financeiras.
O tamanho do rombo
A empresa acumula prejuízos desde 2023. Depois do resultado negativo recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025, valor três vezes superior ao do ano anterior, a estatal registrou prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026, de R$ 2,39 bilhões no segundo trimestre e de R$ 5,55 bilhões no acumulado do primeiro semestre.
No fim do primeiro semestre, os Correios seguiam com patrimônio líquido negativo e caixa insuficiente para se sustentar sem novos aportes. A administração reconheceu os problemas operacionais e afirmou ter adotado medidas para estabilizar as finanças, preservar a liquidez e recuperar os resultados.
Entre os fatores do desequilíbrio, a empresa cita a queda das receitas dos serviços postais tradicionais, o aumento dos custos operacionais, as provisões para passivos judiciais de períodos anteriores, a concorrência no segmento logístico e o custo de manter a capilaridade exigida pelo serviço postal universal. Cerca de 71% das localidades atendidas operam sem lucro em razão do dever legal de universalização.
Quatro anos sem dividendo à União
Os Correios são 100% controlados pela União e estão entre as estatais que há mais tempo não remuneram o acionista. A última transferência de dividendos ocorreu em maio de 2022, quando a empresa destinou R$ 310,8 milhões ao Tesouro Nacional. No mesmo intervalo em que a companhia postal ficou sem repassar nada, outras estatais entregaram R$ 255,9 bilhões ao governo federal.
Este não é o primeiro socorro do ciclo. Em dezembro de 2025, a estatal contratou empréstimo de R$ 12 bilhões, também com garantia da União. O novo aporte se soma a esse passivo, com prazo que ultrapassa o mandato presidencial em curso.
A operação ocorre em meio a uma greve por tempo indeterminado iniciada em 10 de setembro pelos trabalhadores da empresa. Neste mês, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou a manutenção de 80% do efetivo durante a paralisação, sob pena de multa.
Em agosto, os Correios abriram um plano de demissão voluntária para até 7 mil empregados e anunciaram o fechamento de cerca de mil agências. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, projetou em entrevista prejuízo de até R$ 10 bilhões na empresa em 2026.
Não havia manifestação dos Correios nem do Ministério da Fazenda sobre os termos do novo empréstimo até a publicação desta reportagem.