Economia

Presidente da Febraban enviou R$ 700 mil a firma ligada a Vorcaro

Relatório do Coaf registra TED de Isaac Sidney à Super Empreendimentos um dia após a abertura da conta; executivo diz que pagou por direitos creditórios

O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, transferiu R$ 700 mil para uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e a Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo e detalhada pelo Poder360 no sábado, 12 de setembro.

De acordo com o documento, a transferência foi feita por TED em 8 de junho de 2022, um dia depois da abertura da conta da Super Empreendimentos e Participações S.A. na unidade de Formiga (MG) da cooperativa de crédito Sicoob Credifor.

Zettel foi diretor da Super Empreendimentos, empresa do ramo imobiliário que adquiriu imóveis somando R$ 300 milhões, entre eles um triplex de R$ 38 milhões onde Vorcaro morava.

O que diz o relatório

O depósito de Isaac Sidney corresponde a uma parcela dos R$ 9,9 milhões movimentados pela conta da empresa naquele mês. Zettel, apontado como operador financeiro do esquema que envolve o Banco Master, respondeu por outros R$ 9,2 milhões, enviados em cinco transferências por TED e Pix. No mesmo período, a conta registrou R$ 9,8 milhões em débitos, a maior parte destinada a empresas do setor imobiliário.

O Coaf chamou atenção para o volume movimentado pela Super, considerado incompatível com o porte da empresa. O órgão registrou ainda que a companhia não tinha faturamento declarado e recebia recursos de outras instituições financeiras, o que dificulta identificar a origem primária do dinheiro.

A Super Empreendimentos é citada em investigações do caso Master como uma das empresas usadas para formalizar contratos fraudulentos e para pagamentos a integrantes da estrutura ligada a Vorcaro. Relatório de inteligência financeira registra movimentação atípica e não constitui, por si só, prova de crime nem imputação formal.

A resposta de Isaac Sidney

Procurado pelo Poder360, o presidente da Febraban afirmou que os R$ 700 mil foram pagos pela aquisição de direitos creditórios, em uma operação formalizada há mais de quatro anos e registrada em sua declaração de Imposto de Renda.

"Privada e regular, tendo sido integralmente suportada com recursos próprios, de origem lícita, disponíveis em minha conta bancária pessoal, observadas as formalidades legais aplicáveis", afirmou Isaac Sidney sobre a operação.

Ele negou ter feito aporte na Super Empreendimentos ou recebido qualquer quantia da empresa, e disse que a operação não tem relação com a liquidação do Banco Master, ocorrida no fim de 2025. Segundo o executivo, a comunicação ao Coaf não foi motivada pelo CPF dele, mas por apontamentos relacionados à conta bancária do CNPJ da empresa que recebeu a transferência.

"Uma coisa é pagar por um ativo com recursos próprios da conta pessoal, devidamente registrados na Declaração de Imposto de Renda. Outra, distinta, é aportar recursos como investimento. E outra, completamente diferente, é receber valores", declarou.

A Febraban é a entidade que representa os bancos no país. O material do caso Master passou a ser consultável depois da retirada do sigilo dos processos, na sexta-feira (11), decisão que abriu para consulta milhares de peças da investigação. Nesta segunda-feira (14), o ministro André Mendonça retirou o sigilo da rede de pagamentos do banco.

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