IPCA-15 de outubro desacelera a 0,32%, mas acumulado em 12 meses passa do teto da meta
Tomate sobe 24,54% e alimentos pesam mais; energia mais barata e passagem aérea em queda seguram o índice
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A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, ficou em 0,32% em outubro, menos da metade dos 0,70% de setembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 23. Em 12 meses, porém, o índice subiu a 4,62% e passou do teto da meta, de 4,5%.
No mês anterior, o acumulado em 12 meses era de 4,47%, ainda dentro da banda. A meta de inflação do governo é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Os dados constam do IPCA-15 do IBGE e da cobertura da Agência Brasil.
O que puxou o índice para baixo
A energia elétrica residencial caiu 0,89% e levou o grupo habitação a -0,10%, o único em queda. A explicação é a bandeira tarifária, que passou de amarela para verde em outubro e zerou o adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
As passagens aéreas ficaram 9,24% mais baratas, em média. Foi o item que mais empurrou a prévia para baixo, com impacto de -0,08 ponto percentual.
O que pesou no bolso
Alimentação e bebidas subiram 0,88% e responderam por 0,19 ponto percentual do índice, o maior impacto entre os grupos. A alimentação em casa avançou 1,01%, contra 0,38% em setembro.
O tomate teve alta de 24,54% e foi o preço individual que mais pressionou o IPCA-15. Também subiram a cebola (13,63%), a batata-inglesa (10,96%) e o arroz (5,80%). Cenoura (-10,67%), frutas (-1,37%) e café moído (-1,16%) recuaram.
Nos transportes, o grupo avançou 0,05%, com os combustíveis em alta de 1,2%. O diesel subiu 3,70%, o etanol 2,73% e a gasolina 0,92%. O gás veicular caiu 0,18%.
Entre os demais grupos, despesas pessoais subiram 0,55%, vestuário 0,53%, comunicação 0,43% e artigos de residência 0,28%. Saúde e cuidados pessoais variaram 0,15% e educação, 0,09%.
O que dizem os economistas
Para Roberto Luis Troster, coordenador do Centro de Estudos do Financiamento das Empresas Brasileiras (Cefeb) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), não houve alívio disseminado de preços. "A desaceleração mensal é bem-vinda, mas ainda não demonstra uma trajetória consistente de queda da inflação", afirmou, segundo a Agência Brasil.
A desaceleração do mês veio da energia e da passagem aérea, enquanto os alimentos aceleraram. Em setembro, a conta de luz havia sido o principal motor de alta, como o Resenhando mostrou na cobertura da prévia da inflação de setembro, que subiu 0,70% e foi a 4,47% em 12 meses.
O IPCA-15 coleta preços de 367 produtos e serviços em 11 regiões, entre elas Brasília e Goiânia, de 16 de setembro a 14 de outubro. A inflação cheia de outubro sai em 12 de novembro. O boletim Focus do Banco Central de 19 de outubro projeta 0,32% para o mês.