Economia

IPCA sobe 0,82% em setembro e inflação em 12 meses passa do teto da meta

Fim do bônus de Itaipu empurrou a conta de luz, que subiu 7,98%; tomate, batata e passagem aérea também pesaram

Neste texto3 tópicos
  1. O que puxou o índice
  2. Comida volta a subir
  3. Acima do esperado e perto do alvo

A inflação oficial do país ficou em 0,82% em setembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta sexta-feira, 9. É o maior resultado mensal desde março, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) marcou 0,88%. Em 12 meses, a taxa chegou a 4,58%, acima do teto de 4,5% da meta.

Em agosto, o acumulado em 12 meses estava em 4,22%, depois de uma deflação de 0,32% no mês. A última vez que o índice ficou acima do teto foi em junho, quando registrou 4,64%.

O que puxou o índice

O maior peso veio da habitação, que subiu 2,31% e respondeu por 0,35 ponto percentual do resultado. Dentro do grupo, a energia elétrica residencial avançou 7,98% e sozinha contribuiu com 0,32 ponto, o maior impacto individual do mês.

O motivo principal é o fim do bônus de Itaipu, um crédito que reduziu as contas de agosto. Com o desconto encerrado, a comparação de setembro foi feita contra uma base mais barata. Reajustes contratuais em Belém, São Luís e Vitória somaram-se ao efeito. O economista Roberto Luis Troster, ouvido pela Agência Brasil, classificou o fenômeno como pontual, com influência limitada no mês seguinte. A bandeira tarifária de outubro é verde, sem cobrança extra.

Em transportes, a alta foi de 0,89%, com passagem aérea subindo 9,66%. Os combustíveis avançaram 1,41%: gasolina (1,21%), etanol (3,16%) e diesel (1,69%).

Comida volta a subir

Alimentação e bebidas subiram 0,83%, depois de três meses de queda. A alimentação no domicílio avançou 0,96%. O tomate subiu 37,76%, a batata 24,07%, a cebola 10,14% e o arroz 4,56%. Frango inteiro (-1,96%), frango em pedaços (-1,41%) e frutas (-1,12%) ficaram mais baratos.

O analista do IBGE Fernando Gonçalves atribuiu a alta a problemas de oferta ligados ao clima, com frio e chuva, e disse que ainda não está claro se o El Niño teve influência.

Acima do esperado e perto do alvo

O resultado superou a projeção do boletim Focus de 5 de outubro, que apontava 0,60% para setembro. Para o fechamento de 2026, o mercado passou a esperar 5,01%, ainda segundo a Agência Brasil. A meta central é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. O objetivo é considerado descumprido quando a inflação fica fora da banda por seis meses consecutivos, regra do Conselho Monetário Nacional.

O índice de difusão, que mede a parcela de itens com aumento, foi de 55% entre os 377 produtos e serviços pesquisados, contra 54% em agosto. Os serviços, mais sensíveis à atividade e aos juros, subiram 0,61% no mês e 5,98% em 12 meses. Os preços monitorados, como combustíveis e tarifas contratuais, avançaram 1,59% no mês e 4,13% em 12 meses.

O IPCA mede o custo de vida de famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, com coleta em 10 regiões metropolitanas, em Brasília e em cinco capitais.

O Resenhando já havia acompanhado a trajetória do índice no ano: veja a deflação de agosto e a projeção de inflação acima do teto para o fechamento do ano. Os números do mês passam a valer como referência para o próximo ciclo de reajustes de salários e contratos corrigidos pelo índice.