Economia

IPCA-15 recua 0,40% em agosto puxado por bônus na conta de luz

Energia elétrica caiu 6,25% e respondeu por 0,26 ponto da queda; sem o crédito anual de Itaipu, a variação do mês ficaria perto da estabilidade

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou deflação de 0,40% em agosto, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 26, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a primeira taxa negativa da prévia da inflação em doze meses e a menor variação desde agosto de 2022.

O recuo veio concentrado em um item. A energia elétrica residencial caiu 6,25% no mês e sozinha subtraiu 0,26 ponto percentual do índice geral. A queda reflete a incorporação do Bônus de Itaipu nas contas de luz emitidas em agosto, valor distribuído a consumidores residenciais e rurais a partir do saldo apurado na conta de comercialização de energia da usina binacional no ano anterior.

O bônus é creditado uma vez por ano. O efeito sobre a conta de luz, portanto, se esgota no próprio mês em que aparece, e o resultado de agosto não indica que o custo da energia tenha caído em caráter permanente.

Habitação, o grupo que abriga a conta de luz, teve a maior queda entre os nove: 1,41%, com impacto de 0,22 ponto percentual. Em seguida vieram Transportes, com recuo de 1,00% e impacto de 0,20 ponto, e Alimentação e bebidas, com queda de 0,57% e impacto de 0,12 ponto.

Como fica o acumulado

No acumulado de janeiro a agosto, o IPCA-15 marca alta de 3,09%. Em doze meses, a taxa desacelerou de 4,52% para 4,24%.

O número de doze meses é o que importa para a política monetária. O centro da meta de inflação perseguido pelo Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância que vai até 4,5%. Aos 4,24%, a prévia de agosto está dentro do teto, mas segue mais de um ponto percentual acima do centro.

Descontado o efeito de agosto, o quadro muda de leitura: o alívio de 0,40 ponto negativo carrega 0,26 ponto que vem de um crédito pontual na conta de luz. Sem ele, a variação do mês seria próxima da estabilidade.

O IPCA-15 é calculado com coleta encerrada antes do fechamento do mês e funciona como prévia do IPCA cheio, que é o índice oficial usado para aferir a meta. O resultado de agosto do índice fechado ainda será divulgado pelo IBGE.

O Banco Central não se manifestou sobre o dado. A leitura chega na esteira da decisão do Copom que cortou a Selic para 14% com a inflação projetada ainda acima do teto.

A próxima referência para o mercado é o IPCA de agosto fechado, que dirá se a desaceleração se sustenta quando o crédito de Itaipu deixar de aparecer na conta.

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