Brasil e EUA remarcam para segunda a conversa sobre o tarifaço
Reunião virtual às 14h30 terá o secretário-executivo do MDIC, Márcio Elias Rosa; sobretaxas de 25% e 12,5% seguem em vigor
Brasil e Estados Unidos retomam na próxima segunda-feira, 31, a negociação sobre as sobretaxas americanas aplicadas a produtos brasileiros. A conversa será virtual, às 14h30, e o governo brasileiro será representado pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa.
O encontro estava previsto para a semana passada e foi adiado. Enquanto a data era remarcada, as sobretaxas seguiram em vigor. Não há acordo em vigor nem redução de alíquota anunciada por qualquer um dos dois governos.
Quanto a medida americana atinge
As sobretaxas foram publicadas pelo governo dos Estados Unidos em 15 e 23 de julho de 2026 e entraram em vigor em 22 de julho. São duas medidas distintas, tomadas com base na Seção 301 da legislação comercial americana: uma de 25% e outra de 12,5%, esta última justificada por alegação de trabalho forçado. Quando as duas incidem sobre o mesmo produto, a sobretaxa acumulada chega a 37,5%.
Pelo levantamento do MDIC, a repartição da pauta exportadora brasileira ficou assim:
- 4,7% das exportações pagam apenas os 12,5%: obras de pedra, minérios, óleos essenciais e pescados
- 1,9% das exportações pagam apenas os 25%, com o açúcar no grupo
- 16,5% das exportações pagam os 37,5% acumulados: máquinas, madeira, gorduras, calçados, móveis e confecções
- 52,7% das exportações ficaram fora das sobretaxas setoriais, incluindo café, carnes, ferro fundido, aeronaves, suco de laranja, frutas, produtos químicos e celulose
O total alcançado soma US$ 9,3 bilhões, calculado sobre os US$ 40,4 bilhões exportados aos Estados Unidos em 2024. A medida não se aplicou a mercadorias embarcadas e em trânsito antes de 22 de julho, desde que tenham entrado em território americano até 29 de julho.
O que o governo brasileiro já fez
Enquanto a negociação não avança, o governo montou uma resposta interna com dinheiro do Orçamento e com suspensão de tributos. Foram editadas duas medidas provisórias: a MP 1.386/2026, que prorrogou por um ano a suspensão de tributos para exportadores atingidos, e a MP 1.387/2026, que abriu R$ 7 bilhões em crédito extraordinário para as empresas afetadas. A ApexBrasil reservou outros R$ 210 milhões para prospecção de mercados.
Na frente externa, o Brasil pediu consultas na Organização Mundial do Comércio, e os Estados Unidos aceitaram abrir a etapa. A China pediu para entrar no processo como terceiro interessado. Consultas são a fase inicial do contencioso na OMC e não têm prazo fixo para produzir resultado.
A conta que o exportador paga no intervalo é a que não aparece nas medidas provisórias: o setor de calçados viu, em julho, a importação superar a exportação pela primeira vez, com a sobretaxa de 37,5% no caminho do produto brasileiro.
Nem o MDIC nem o escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos divulgaram pauta oficial da conversa de segunda-feira.
Leia também: MP prorroga por um ano a suspensão de tributos a exportadores do tarifaço.