Apoio a projetos do governo no Senado cai de 75% para 38,5% em um ano
Levantamento da Ética Inteligência Política aponta recuo também na Câmara, de 58% para 38,1%, apesar do recorde de emendas liberadas
O índice de apoio às propostas prioritárias do governo federal no Senado caiu de 75% para 38,5% entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026, segundo levantamento da consultoria Ética Inteligência Política. Na Câmara dos Deputados, a taxa recuou de 58% para 38,1%. Os dados foram divulgados na sexta-feira, 24, e publicados inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo.
A queda ocorre no ano em que o Executivo liberou o maior volume pré-eleitoral de emendas parlamentares já registrado: R$ 33,89 bilhões nos seis primeiros meses de 2026. O dinheiro não se converteu em votos na proporção esperada pelo Planalto.
No Senado, os recuos mais fortes vieram de partidos que ocupam espaço na Esplanada. PSD, União Brasil e Podemos passaram de 80% para 40% dos votos favoráveis às pautas do governo. Em Republicanos e PP, o apoio caiu de 60% para 40%. O comportamento acompanha o distanciamento do centrão em relação ao Executivo às vésperas da eleição.
O que ficou travado
A perda de tração aparece na pauta. Seguem paradas a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1, o pacote de segurança pública e a regulação dos mercados digitais. No caso da jornada, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, interrompeu a tramitação.
Para Carolina Venuto, da Ética Inteligência Política, o governo enfrentou mais dificuldade para articular suas prioridades porque o Congresso ganhou autonomia com o aumento das emendas sob controle parlamentar. Em ano eleitoral, o cálculo do deputado e do senador passa pelo palanque estadual, e não pela agenda do Planalto.
Como fica até outubro
O calendário reduz ainda mais o espaço de negociação. Com convenções partidárias, registro de candidaturas e campanha, o Congresso trabalha em ritmo lento até outubro, e as votações de maior peso tendem a ficar para depois do pleito, quando a nova composição já estiver definida.
O governo não divulgou reação oficial aos números do levantamento até a publicação desta reportagem. Leia também sobre os 87 vetos que trancam a pauta do Congresso na volta do recesso.