Mundo

Uefa aprova boicote a torneios da Fifa contra venda de fatia da Copa

As 55 federações europeias votaram por não disputar competições enquanto o plano de captar investidores privados estiver de pé

As 55 federações filiadas à Uefa aprovaram, em reunião virtual realizada na quinta-feira (30), boicote a todas as competições da Fifa caso a entidade siga adiante com o plano de vender participação da Copa do Mundo a investidores privados. A votação foi unânime, segundo a confederação europeia.

Em comunicado, a Uefa afirmou que "a Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento" e que "nenhuma seleção nacional filiada à Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas estiverem vigentes". O boicote alcança os torneios masculinos e femininos.

O que é o plano em disputa

A proposta, batizada de Fifa Forward Enterprise, prevê a criação de um veículo avaliado em cerca de US$ 20 bilhões, para o qual seriam transferidas operações comerciais e de torneios da entidade. A captação junto a investidores externos chegaria a US$ 4,2 bilhões, com a Fifa mantendo a maioria das cadeiras no conselho da nova estrutura.

O argumento apresentado pela presidência da Fifa é de aumento de repasse: a entidade sustenta que a operação permitiria elevar o valor destinado a cada federação filiada de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões. O plano precisa da aprovação das 211 associações filiadas até 19 de setembro, e o texto em circulação prevê sanções financeiras às federações que não aderirem.

A conta política do bloco europeu

A resistência europeia tem peso desproporcional ao número de votos. As federações do continente concentram os clubes que pagam os salários da maior parte dos jogadores convocados para a Copa, além dos principais contratos de transmissão. Um Mundial sem seleções europeias perde valor comercial exatamente onde o plano promete gerar receita.

A disputa também expõe uma questão de governança: quem controla um ativo esportivo global e a quem ele pertence. Federações que dependem do repasse anual da Fifa para custear suas operações estão diante de uma escolha entre o aumento prometido e o alinhamento com o bloco que organiza o futebol mais rentável do mundo. Confederações de outros continentes ainda não fecharam posição formal.

A Fifa não respondeu aos pedidos de comentário feitos por veículos internacionais sobre a decisão europeia, e não há declaração pública do presidente Gianni Infantino sobre o boicote até a publicação deste texto. O prazo de 19 de setembro segue como a data que define o desfecho.

5 visualizações