Julho foi o mês mais quente já registrado nos Estados Unidos
Média de 24,9°C nos 48 estados contíguos superou todos os meses da série iniciada em 1895, segundo a agência oceânica e atmosférica americana
Julho de 2026 foi o mês mais quente já registrado nos 48 estados contíguos dos Estados Unidos, informou nesta segunda-feira, 10 de agosto, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). A temperatura média do período nesses estados foi de 24,9°C.
O valor supera todos os meses da série histórica mantida pela agência americana, iniciada em 1895 e que soma 132 anos de medições. A marca ficou 1,8°C acima da média dos meses de julho do século 20, referência usada pela NOAA para calcular desvios.
O oeste do país concentrou as maiores anomalias em relação ao normal da estação. Wyoming registrou temperaturas 2,8°C acima da média histórica para o mês, o desvio mais acentuado entre os estados. Os julhos de 2012, 2006 e 2022 completam a lista dos mais quentes do levantamento.
O que a série histórica mostra
Os registros da NOAA cobrem apenas os 48 estados contíguos, o que exclui Alasca e Havaí do cálculo nacional apresentado. A agência trabalha com uma malha de estações meteorológicas distribuída pelo território e ajusta os dados para mudanças de equipamento e de localização das estações ao longo das décadas.
A concentração de meses recordes nas últimas duas décadas é o dado que os cientistas da agência apontam como sinal de tendência, e não de evento isolado. Três dos quatro julhos mais quentes da série ocorreram a partir de 2006.
O calor extremo prolongado tem efeito direto sobre consumo de energia, produtividade agrícola e demanda hospitalar. Nos Estados Unidos, ondas de calor costumam elevar o pico de carga elétrica em razão do uso de ar-condicionado, o que pressiona os sistemas de transmissão nas regiões mais afetadas.
O balanço americano se soma a registros de calor observados em outras regiões do hemisfério norte no mesmo período, com alertas emitidos por serviços meteorológicos europeus durante o verão. A comparação entre países é limitada porque cada agência usa metodologia e período de referência próprios.
Nos Estados Unidos, o tema entra em ano de disputa eleitoral no Congresso, com debate sobre custo de energia e regulação ambiental. Estados do sul e do oeste têm registrado aumento na conta de eletricidade das famílias durante os meses de verão, dado que costuma alimentar a discussão política sobre a matriz energética do país.
A agência também acompanha precipitação. Períodos de calor prolongado combinados com chuva abaixo da média ampliam a área sob seca, com efeito sobre reservatórios, navegação fluvial e irrigação nas regiões agrícolas.
Efeito sobre a safra e o mercado
Estados do centro-oeste americano concentram a produção de milho e soja, culturas sensíveis a temperatura elevada nas fases de floração e enchimento de grãos. Alterações na expectativa de produtividade nessas áreas se refletem nas cotações internacionais das commodities, referência para o produtor brasileiro.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos atualiza mensalmente as estimativas de safra, documento acompanhado de perto por exportadores e tradings. Os efeitos do calor de julho sobre a produção só aparecem de forma consolidada nos relatórios seguintes.
A NOAA divulga os balanços mensais no início do mês subsequente, com dados de temperatura e precipitação por estado. O boletim de agosto será publicado em setembro.