Mundo

Governo Milei admite que não tem votos no Congresso para ratificar acordo com os EUA

Assessores do presidente argentino buscam renegociar termos do tratado comercial assinado em fevereiro, enquanto tarifa de 25% sobre aço e alumínio segue em vigor

Neste texto3 tópicos
  1. Por que o acordo travou no Congresso
  2. A tarifa de aço e alumínio que já pesa sobre a Argentina
  3. O que está em jogo para a economia argentina

Assessores do presidente argentino Javier Milei informaram ao governo de Donald Trump que não dispõem de votos suficientes no Congresso da Argentina para ratificar o acordo comercial bilateral assinado em fevereiro, segundo apuração da Bloomberg.

Diante do impasse, o governo argentino passou a buscar uma renegociação dos termos do tratado, em vez de levá-lo ao plenário sem garantia de aprovação.

Por que o acordo travou no Congresso

A equipe de Milei não controla maioria própria nas duas casas do Legislativo argentino e depende de composições com outros blocos para aprovar pautas de impacto econômico. Um acordo comercial que abre setores sensíveis da economia doméstica tende a enfrentar resistência tanto de oposicionistas quanto de aliados ligados a indústrias afetadas.

O governo argentino também passou a usar como argumento de renegociação a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre as tarifas globais aplicadas por Trump, que mudou parte do cenário em que o acordo original havia sido negociado em fevereiro.

A tarifa de aço e alumínio que já pesa sobre a Argentina

Enquanto o acordo mais amplo permanece sem ratificação, a tarifa de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio imposta por Trump segue em vigor para a Argentina, sem exceção concedida ao país. Trump já havia dito publicamente que a Argentina não teria isenção ao aumento das tarifas sobre os dois metais.

O setor de alumínio argentino é dominado por uma única produtora, a Aluar, com exportações do metal na casa de US$ 530 milhões em 2024. No aço, as principais afetadas são empresas do grupo Techint, como Ternium e Tenaris, além da Acíndar.

O que está em jogo para a economia argentina

  • Sem o acordo ratificado, exportadores argentinos seguem sujeitos às tarifas americanas padrão, sem as condições preferenciais negociadas em fevereiro
  • A renegociação pode levar meses, dado o calendário legislativo argentino e a necessidade de novo texto a ser votado
  • Setores de aço e alumínio continuam pagando a tarifa de 25% enquanto a disputa segue sem solução
  • O desfecho interessa diretamente ao Brasil, que compete com a Argentina em mercados agrícolas e industriais afetados pela política tarifária americana

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos não se manifestou publicamente sobre o pedido argentino de renegociação até a publicação desta matéria. O governo Milei também não divulgou um novo cronograma para submeter o acordo revisado ao Congresso.

0 visualizações