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Milei retira do projeto o fim do limite à compra de terras por estrangeiros

Governo argentino recuou às vésperas da votação; bloco governista diz que o adiamento não significa desistência

O governo do presidente argentino Javier Milei retirou do projeto de inviolabilidade da propriedade privada o trecho que ampliava a compra de terras rurais por estrangeiros, às vésperas da votação prevista para esta quinta-feira, 6, no Senado. A decisão veio depois de o governo constatar que não tinha votos para aprovar o item e diante de protestos em várias províncias.

A legislação argentina em vigor é de 2011 e limita a 15% a fatia de terras rurais do país que pode estar em mãos de estrangeiros. O texto negociado pelo governo elevava esse teto para 25%. Foi esse ponto que saiu do projeto.

O restante da proposta seguiu em tramitação. O projeto de inviolabilidade da propriedade privada, carro-chefe da pauta econômica do governo no Senado, chegou à votação com mais de 15 modificações em relação à versão original.

O que o governo diz sobre o recuo

A ministra da Segurança e líder do governo no Senado, Patricia Bullrich, defendia que a retirada do trecho facilitaria a aprovação do conjunto do projeto. O bloco governista afirmou, em nota, que o adiamento da discussão "não implica sua retirada do projeto de lei", o que mantém aberta a possibilidade de o tema voltar em outra proposta.

A oposição e entidades rurais sustentaram durante a tramitação que a mudança representaria perda de soberania sobre recursos estratégicos, entre eles terras com reservas hídricas e áreas de fronteira. A mobilização contra o item reuniu governadores de diferentes partidos, artistas e o zagueiro Lisandro Martínez, da seleção argentina, segundo registros da imprensa argentina reproduzidos por veículos brasileiros.

O que continua no texto

O governo manteve na pauta do Senado outro projeto que permite a venda de áreas protegidas atingidas por incêndios florestais, também alvo de críticas dos manifestantes. Esse ponto não foi retirado.

A disputa expõe um limite político da agenda econômica de Milei, que não tem bancada própria suficiente no Congresso e constrói maioria caso a caso. Na propriedade da terra, essa maioria não se formou.

Não há nova data marcada para a discussão do tema no Senado argentino.

Fontes: Gazeta do Povo, Jornal de Brasília e agências de notícias argentinas.

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