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Milei tira civis da Quinta de Olivos e entrega tudo à Casa Militar

Decreto publicado no Boletín Oficial transfere segurança, cozinha, limpeza e administração da residência presidencial ao organismo militar, em prazo de até 60 dias

O governo de Javier Milei transferiu à Casa Militar a responsabilidade integral pela Quinta de Olivos, residência oficial da Presidência argentina, e desligou o pessoal civil que cuidava do lugar. A medida foi oficializada pelo Decreto 637/2026, publicado no Boletín Oficial e divulgado em 17 de setembro.

Passam ao organismo militar não apenas a segurança, mas também as tarefas de limpeza, cozinha e serviço de mesa, além da administração da propriedade. A norma alcança ainda as residências transitórias do presidente e de sua família. A transferência de bens e responsabilidades deve ser concluída em prazo máximo de 60 dias.

O que o governo alega

A justificativa oficial é elevar os padrões de eficiência e de segurança do presidente e de seu entorno, em um contexto que o texto descreve como de aumento da insegurança em escala global. Reportagens da imprensa argentina acrescentam que a decisão foi motivada por problemas de segurança e por vazamentos de informação sobre a rotina do presidente e de seu círculo próximo.

Segundo o Infobae, a reestruturação implicou a dissolução da administração da residência e a redução de sua estrutura interna. O veículo argentino Urgente24 informou que doze empregados foram demitidos, entre eles Osvaldo Javier Sosa, que ocupava o cargo de intendente da residência. O Infobae relata número maior de afetados quando se somam os realocados.

Quem passa a mandar em Olivos

A Casa Militar é o organismo que reúne pessoal das três Forças Armadas argentinas e responde historicamente pela custódia do presidente e pelo transporte oficial. Com o decreto, ela concentra o comando operacional dentro da quinta, função que até agora era dividida com estruturas civis vinculadas à Secretaria-Geral da Presidência, hoje sob Karina Milei.

O general de brigada Sebastián Ibáñez chefia a Casa Militar. Do lado civil, a subsecretária de Planejamento Geral, Belén Agudiez, aparece entre os nomes citados pela imprensa argentina na condução administrativa da mudança.

A reação

O sindicato ATE Capital, que representa trabalhadores do Estado, contestou as demissões. Seu secretário-geral, Daniel Catalano, é citado pela imprensa argentina entre as vozes que criticaram a medida. Não há, até a publicação desta reportagem, manifestação oficial do governo argentino além do texto do decreto e da comunicação distribuída à imprensa em 17 de setembro.

O contexto

A militarização da residência presidencial ocorre a poucas semanas de uma agenda internacional sensível para Buenos Aires e em um ano eleitoral na Argentina. Parte da cobertura local associa a pressa na transferência à preparação de compromissos oficiais na residência, informação que o decreto não traz e que o governo não confirmou formalmente.

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