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Milei nega motivação eleitoral nas medidas sobre as Malvinas

Presidente argentino diz que a estratégia vem sendo preparada há três anos e que fala de Trump apenas acelerou os anúncios

O presidente da Argentina, Javier Milei, negou nesta quinta-feira, 17, que o endurecimento do governo argentino em relação às Ilhas Malvinas seja estratégia de campanha. Em entrevista ao streaming Neura, ele afirmou que as medidas vêm sendo preparadas há três anos. A declaração foi publicada pelo site argentino Filo News.

"Las venimos gestando hace tres años", disse Milei, em tradução livre: viemos gestando isso há três anos. O presidente classificou como "una estupidez mayúscula" a leitura de que o tema seja questão de imagem e oportunismo político.

Milei reconheceu, porém, que uma manifestação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acelerou os anúncios públicos. "La cadena es disparada por el comentario de Donald Trump acerca de que estaba revisando la posición frente a Malvinas", afirmou. Segundo ele, "si se le suma la geopolítica, entonces se abrió la ventana y nosotros la aprovechamos".

As medidas às quais o presidente se referia foram anunciadas no início de setembro. A primeira frente é econômica: um decreto para acelerar a aplicação da Lei 26.659, que prevê sanções a empresas que participem da exploração de hidrocarbonetos na área das Malvinas sem autorização argentina.

A chancelaria argentina enviou cerca de 180 cartas de advertência a empresas e governos de mais de 29 países. No dia seguinte ao anúncio, o governo informou a abertura de investigação administrativa contra 45 pessoas físicas e jurídicas supostamente ligadas à exploração e à produção de petróleo no arquipélago. O procedimento é conduzido pelo Ministério das Relações Exteriores e pode resultar em proibição de operar no mercado argentino.

A segunda frente é militar. O governo destinou recursos adicionais à construção da Base Naval Integrada em Ushuaia, na Terra do Fogo, e ao reforço das telecomunicações militares no Atlântico Sul. A administração indicou que o financiamento adicional será priorizado no Orçamento de 2027.

Milei também anunciou um projeto para reforçar os instrumentos legais argentinos sobre operações ligadas às ilhas.

O Reino Unido administra o arquipélago desde 1833 e não reconhece a reivindicação argentina de soberania. O governo britânico não divulgou manifestação sobre as declarações do presidente argentino.

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