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Von der Leyen convida o Canadá a ser o primeiro membro associado da UE

Proposta foi anunciada no discurso do Estado da União, em Estrasburgo, e ainda precisa de definição jurídica e política

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, convidou o Canadá a se tornar o primeiro "membro associado" da União Europeia. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 16 de setembro, durante o discurso anual sobre o Estado da União, em Estrasburgo, com a presença do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, no plenário do Parlamento Europeu.

O estatuto não existe hoje. Trata-se de uma proposta, e não de decisão formal do bloco. A nova categoria precisa ser definida juridicamente e politicamente antes de valer, e pontos centrais seguem em aberto, entre eles se o país associado teria algum direito de voto nas instâncias europeias.

Pelo desenho apresentado, o acordo cobriria tecnologia, minerais críticos, energia, defesa, inteligência artificial e projetos conjuntos no Ártico. Ottawa já negocia em paralelo a participação em programas europeus como o Erasmus+, de mobilidade estudantil, e o Horizon Europe, de financiamento à pesquisa.

"Compartilhamos um oceano, um conjunto de valores, uma forma de ver o mundo. E agora vamos construir também o nosso futuro compartilhado", disse von der Leyen no discurso.

O que a proposta não é

O convite não corresponde a uma adesão. O Canadá não pode se tornar membro pleno da União Europeia, cuja regra de ampliação alcança apenas países europeus. O que está em discussão é uma faixa intermediária de integração, sem assento nas decisões comunitárias na forma que os 27 hoje têm.

Carney recebeu ovação de pé dos parlamentares presentes. Uma cúpula entre os dois lados está marcada para outubro, em Montreal, e é nesse encontro que o formato deve ganhar contornos concretos.

O pano de fundo comercial

A aproximação ocorre enquanto o Canadá enfrenta uma guerra comercial com os Estados Unidos. Em agosto, Washington aplicou tarifa de 50% sobre US$ 20 bilhões em produtos canadenses, e Ottawa respondeu taxando 700 itens americanos, com vigência a partir de 8 de setembro.

Para o bloco europeu, a oferta cumpre duas funções ao mesmo tempo: amplia o acesso a minerais críticos e a rotas árticas em um momento de disputa por cadeias de suprimento, e sinaliza a parceiros tradicionais dos Estados Unidos que existe alternativa de integração econômica e de defesa fora do eixo de Washington.

Brasil e União Europeia mantêm agenda própria de negociação, travada há anos no acordo com o Mercosul. A criação de uma categoria intermediária de associação, se sair do papel, abre um precedente institucional que outros parceiros do bloco poderão invocar.

Leia também: Canadá taxa 700 produtos dos EUA e tarifas entram em vigor em 8 de setembro.

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