Maersk e Hapag-Lloyd retomam quatro serviços pelo Canal de Suez
Linhas AE5, AE11, AE12 e ME2 deixam o desvio pelo Cabo da Boa Esperança; empresas condicionam avanço à calma no Oriente Médio
As armadoras Maersk e Hapag-Lloyd retomaram o trânsito de quatro serviços conjuntos pelo Canal de Suez, em movimento de volta gradual à principal rota marítima entre Ásia e Europa. O anúncio foi divulgado na terça-feira, 15 de setembro, e alcança as linhas AE5, AE11, AE12 e ME2, que ligam Ásia, Mediterrâneo e norte europeu.
As rotas vinham sendo operadas pelo contorno do Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, desvio adotado pela maior parte das companhias depois dos ataques de milicianos houthis a navios no Mar Vermelho. O trajeto africano acrescenta milhares de milhas náuticas e vários dias a cada viagem, com efeito direto sobre custo de frete e prazo de entrega.
"O Canal de Suez é uma via marítima vital entre Oriente e Ocidente e um fator-chave para a eficiência das cadeias de suprimento globais", afirmou a Maersk em comunicado.
O retorno é condicionado
As duas empresas informaram que seguem monitorando de perto a situação no Oriente Médio e que qualquer ampliação adicional depende da ausência de escalada dos conflitos na região. Os anúncios anteriores de retomada parcial ocorreram em julho e agosto deste ano.
O tráfego pelo canal já vinha em recuperação. Levantamentos de acompanhamento do setor indicam trânsitos semanais em patamar não visto desde o início de 2024, quando ocorreu a saída em massa de embarcações do Mar Vermelho. Porta-contêineres, graneleiros, navios-tanque e transportadores de veículos registraram ganhos na comparação com o ano anterior.
A MSC informou que o serviço Indusa, que conecta o subcontinente indiano e o Paquistão aos Estados Unidos e ao México, voltará a operar no sentido oeste com a primeira partida do navio MSC Domna X do porto de Colombo em 23 de setembro.
Por que isso mexe com preço
O Canal de Suez concentra parte relevante do comércio entre Ásia e Europa e encurta em semanas o percurso entre os dois continentes. Cada navio que volta à rota curta libera capacidade na frota global, porque a mesma embarcação cumpre mais viagens no ano.
Para o exportador e o importador brasileiros, o efeito chega de forma indireta, pelo preço do frete internacional e pela disponibilidade de contêineres. A rota do Suez não é usada no tráfego direto entre Brasil e Ásia, mas a pressão sobre a frota mundial afeta o custo de qualquer viagem oceânica.
Os houthis passaram a atacar embarcações no Mar Vermelho alegando represália a operações militares no Oriente Médio. Arábia Saudita e Egito, os dois países mais afetados economicamente pelo bloqueio, cobraram nesta semana o fim das restrições e a livre navegação na área.
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