Lagarde deixa o BCE em fevereiro, nove meses antes do fim do mandato
Presidente do banco renuncia em meio a alta de juros e eleição presidencial na França
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A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, anunciou na quinta-feira (29) que deixa o cargo em 7 de fevereiro, quase nove meses antes do fim do mandato, previsto para o final de outubro de 2027. A informação foi divulgada pela Agência Brasil a partir de despachos de agências internacionais.
"Deixo esta instituição com a sensação de um bom trabalho realizado e de um BCE preparado para o futuro", disse Lagarde, de 70 anos, em vídeo publicado nas redes sociais. Ela afirmou que não será candidata à Presidência da França, mas que pretende defender valores pró-europeus no país "na função que considerasse mais eficaz".
Por que a saída antecipada gerou reação
Uma fonte com conhecimento direto do assunto, citada pela agência, disse que Lagarde renunciou para poder se posicionar sobre questões políticas na França e no mundo, o que a função de presidente do BCE não permite, já que se espera neutralidade para proteger a independência da instituição. O Fórum Econômico Mundial, apontado como provável destino, recusou-se a comentar.
O eurodeputado alemão Markus Ferber, do Partido Popular Europeu, afirmou que a renúncia antecipada passa "o sinal errado" num momento de inflação alta e nervosismo no mercado de títulos. "Se surgir a impressão de que essa saída foi programada para coincidir com as eleições nacionais, isso prejudica a confiança", disse Ferber, que integra a comissão do Parlamento Europeu responsável por confirmar o sucessor.
Já Marcel Fratzscher, presidente do instituto alemão DIW, avaliou que Lagarde demonstra "um forte senso de responsabilidade para com a Europa" ao dar tempo aos governos para escolher o substituto antes da eleição presidencial francesa. A reportagem registra que pesquisas indicam Marine Le Pen como favorita na disputa.
O que o BCE enfrenta
O banco está no meio de um ciclo de alta de juros, segundo a Agência Brasil, para impedir que o choque nos preços do petróleo ligado à guerra no Irã contamine outros preços e salários. A taxa de depósito está em 2,5%. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos públicos sobem, sobretudo na França, que carrega dívida elevada, o que encarece o crédito para famílias e empresas.
Os mercados reagiram pouco ao anúncio. Simon Dangoor, do Goldman Sachs, afirmou que o comportamento institucional do BCE deve continuar semelhante, independentemente de quem assuma. Piet Haines Christiansen, economista do Danske Bank, disse que os nomes cogitados, os ex-presidentes dos bancos centrais da Holanda, Klaas Knot, e da Espanha, Pablo Hernández de Cos, são competentes e não mudariam muito para os mercados.
Como será a sucessão
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que o processo para encontrar o sucessor começa de imediato. A escolha deve entrar num pacote com outras vagas do comitê executivo: Isabel Schnabel deixa a diretoria no início de janeiro, e o economista-chefe Philip Lane tem saída prevista para maio.
No Brasil, a semana teve outro foco de mercado: dólar a R$ 5,45 teve a maior alta semanal desde 2008, e o Itaú revisou o cenário de PIB e inflação para 2027. Fonte: Agência Brasil; as decisões do banco são publicadas no site do BCE.