Groenlândia e Dinamarca dizem que acordo com os EUA não cede soberania
Trump afirmou que os Estados Unidos terão controle permanente da segurança da ilha; Copenhague e Nuuk respondem que o texto reconhece a integridade territorial do Reino
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmaram neste sábado, 19, que o acordo de segurança fechado com os Estados Unidos não transfere a Washington a soberania sobre a ilha. As declarações respondem ao que o presidente norte-americano, Donald Trump, havia dito na sexta-feira, 18.
Trump anunciou que firmou com os dois governos um entendimento que dá aos Estados Unidos o controle permanente da segurança e, nas palavras dele, de "todas as outras necessidades" do território. O republicano descreveu a negociação como um "acordo de duração infinita", afirmou que não haverá custo aos cofres norte-americanos e disse que o país poderá operar livremente na região por tempo indeterminado. Segundo Trump, nenhum adversário de Washington poderá manter base militar, presença militar ou investimento em setores sensíveis na ilha sem autorização escrita dos Estados Unidos.
A resposta de Copenhague veio por publicação da primeira-ministra em sua conta no Facebook, reproduzida pelo Poder360.
É gratificante ver que se vislumbra um bom acordo para a Groenlândia, o Reino da Dinamarca e os EUA. Um acordo que fortalece a nossa segurança compartilhada no Ártico e na região do Atlântico Norte e que, portanto, também beneficia a Otan e a Europa. E um acordo que, simultaneamente, reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino, bem como o direito do povo groenlandês à autodeterminação
Nielsen, que chefia o governo groenlandês desde 2025, afirmou que o texto "reconhece os interesses" da ilha e o "lugar dela na cooperação internacional", segundo declarações distribuídas pelas agências AFP e EFE.
O que está em disputa na leitura do texto
A divergência não está no conteúdo militar, e sim no alcance político do acordo. Trump apresentou o entendimento como controle permanente. Os dois governos europeus descrevem o mesmo documento como cooperação de defesa que preserva a titularidade do território, com o Reino da Dinamarca mantendo a soberania e a Groenlândia mantendo o direito de decidir seu futuro.
A Groenlândia é território autônomo do Reino da Dinamarca, com governo próprio e competência sobre a maior parte das políticas internas. Defesa e relações exteriores permanecem com Copenhague. Qualquer alteração nesse arranjo depende do Parlamento groenlandês e do Parlamento dinamarquês, e nenhum dos dois governos afirmou que o acordo muda essa divisão.
O interesse americano na ilha é declarado desde o primeiro mandato de Trump e voltou ao centro da agenda ao longo de 2026. O Ártico concentra rotas de navegação que se abrem com o degelo, depósitos minerais e a posição geográfica entre a América do Norte, a Europa e a Rússia.
Quando o acordo será assinado
A assinatura está marcada para a semana da Assembleia Geral das Nações Unidas, entre 22 e 28 de setembro, em Nova York. Até a publicação desta reportagem, nem a Casa Branca nem os governos da Dinamarca e da Groenlândia haviam divulgado o texto integral do entendimento, o que impede a verificação independente de qual redação sustenta cada uma das duas leituras.
Segundo a Reuters, autoridades dos dois lados do Atlântico avaliam que o acordo encerra um período de tensão diplomática, enquanto parte dos moradores da ilha manifesta receio quanto ao peso da influência americana na região.
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