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Trump anuncia exploração de petróleo na Groenlândia; governo da ilha diz que está 'muito longe'

Trump diz que exploração de petróleo e gás começa na Groenlândia. Governo local fala em 'muito longe' e lembra a proibição de 2021.

Neste texto5 tópicos
  1. O que Trump disse sobre a Groenlândia
  2. O que diz o governo da Groenlândia
  3. O que o acordo de setembro prevê
  4. Por que a exploração é difícil
  5. O que acompanhar agora

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 14, que uma "exploração em grande escala de petróleo, gás e minerais" está prestes a começar na Groenlândia. O governo da ilha respondeu que as atividades em curso estão "muito longe" dessa dimensão e que levam anos para ficar operacionais.

A declaração saiu em uma postagem na Truth Social, a rede de Trump, sem citar projeto, empresa ou acordo específico. Não houve detalhes. O texto elogiava o que o presidente chamou de ganhos americanos com o pacto de segurança assinado em setembro.

O que Trump disse sobre a Groenlândia

Trump descreveu o território dinamarquês como "nossa nova e bela Groenlândia". Segundo ele, "há especialistas que afirmam que a quantidade de petróleo facilmente acessível é muito maior do que a de praticamente qualquer outro território, em qualquer lugar do mundo".

Na mesma mensagem, o presidente voltou a justificar o interesse americano pela segurança. "Qualquer ataque futuro aos Estados Unidos terá que passar pela Groenlândia", escreveu, citando drones e mísseis. As informações são da Agência Brasil, que reproduziu texto da Reuters, e da CNN Brasil.

O gabinete do primeiro-ministro da Groenlândia se recusou a comentar a postagem. O Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca e o Ministério de Recursos Minerais da ilha não responderam de imediato aos pedidos da Reuters.

O que diz o governo da Groenlândia

O vice-ministro de Mineração, Jørgen Hammeken-Holm, reconheceu à CNN que há atividade de empresas americanas na região. Ele ressalvou que os projetos não têm a dimensão descrita por Trump.

"Estamos muito longe de uma exploração em larga escala", disse. "Há várias atividades de exploração menores em andamento, mas elas podem levar anos até se tornarem operacionais."

A lei local pesa. Em 2021, a Groenlândia proibiu a mineração de urânio e toda nova exploração de petróleo em seu território. O governo diz analisar se a Greenland Energy, empresa do Texas, pode usar licenças anteriores à proibição.

A companhia informou em agosto que pretende perfurar em 2027 uma bacia ainda inexplorada na costa leste da ilha, sem licença própria para isso. A antiga dona da área, a Arco, fez trabalho sísmico nos anos 1970, mas nunca perfurou.

O que o acordo de setembro prevê

Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia fecharam em setembro um texto de dez páginas. Ele abre caminho para duas novas bases militares americanas e para o sistema antimísseis que Trump chama de "Domo de Ouro".

O documento começa reconhecendo a soberania dinamarquesa e o direito dos groenlandeses à autodeterminação. Também altera pontos de um tratado de 1951 que autoriza tropas americanas na ilha, no âmbito da Otan. Prevê acesso militar dos EUA caso a Groenlândia se torne independente.

O acordo cita cooperação em minerais e desenvolvimento econômico, mas não menciona petróleo nem gás, nem concede direitos de mineração ou perfuração. O Resenhando noticiou em setembro a posição de Copenhague e de Nuuk de que o pacto não cede soberania.

Por que a exploração é difícil

Muitas jazidas ficam acima do Círculo Polar Ártico, longe de qualquer infraestrutura. Cerca de 80% da ilha é coberta por gelo, e a camada polar chega a aproximadamente 1,6 quilômetro de espessura, segundo a CNN. Muitas áreas não têm infraestrutura, e a lei local de 2021 proíbe nova exploração de petróleo, justamente o que Trump anuncia.

O consultor dinamarquês de política de segurança Jacob Kaarsbo avaliou que a fala pode indicar que o desejo de Trump de controlar a ilha continua o mesmo. Para ele, é "extremamente perigoso" supor que o acordo tenha mudado as intenções do presidente.

Trump ameaça assumir o controle da Groenlândia desde 2019, quando passou a dizer que os EUA deveriam comprá-la ou tomá-la por razões de segurança. Em várias ocasiões, recusou-se a descartar o uso da força.

O que acompanhar agora

Ficam perguntas abertas. Falta saber se a Casa Branca vai apontar quais projetos sustentam a promessa e se Copenhague ou Nuuk vão se manifestar oficialmente. A decisão sobre as licenças antigas da Greenland Energy será o primeiro teste concreto da proibição de 2021.

No campo energético, Trump também tem cobrado as petroleiras americanas. O Resenhando registrou em agosto a cobrança do presidente a Exxon e Chevron sobre lucro recorde e preço da gasolina.

Fontes: Agência Brasil/Reuters e CNN Brasil.