Trump cobra Exxon e Chevron por lucro recorde e pede corte no preço da gasolina
Presidente americano disse que as petroleiras ganham dinheiro demais com a escassez provocada pelo conflito com o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou as petroleiras ExxonMobil e Chevron nesta segunda-feira, 3, e afirmou que as duas empresas estão ganhando dinheiro demais com a alta do petróleo provocada pelo conflito com o Irã. A declaração foi dada a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca.
"Chevron, dinheiro demais. ExxonMobil, dinheiro demais", disse Trump. Segundo o presidente, as companhias "vão devolver parte disso ao público e é melhor que cortem o preço no varejo, o preço ao consumidor".
A cobrança veio depois da divulgação dos balanços do segundo trimestre.
- Chevron: lucro de US$ 12 bilhões, contra US$ 2,5 bilhões no mesmo período do ano passado.
- ExxonMobil: lucro de US$ 14,5 bilhões, ante US$ 7,1 bilhões um ano antes.
- Petróleo americano: média em torno de US$ 92 o barril entre abril e junho, cerca de 27% acima do primeiro trimestre.
Os resultados foram puxados pela escalada do petróleo desde o início das hostilidades com o Irã, em 28 de fevereiro de 2026. Os contratos futuros do petróleo americano ficaram em torno de US$ 92 por barril na média de abril a junho, cerca de 27% acima do primeiro trimestre.
O que já foi feito contra as petroleiras
Não é a primeira vez que o governo americano mira o setor neste ano. Em 24 de junho, Trump acusou Exxon, Chevron, Shell e BP de praticar preços abusivos e determinou que o Departamento de Justiça abrisse investigação sobre a formação de preços nas bombas.
Procuradas, as duas companhias não haviam se manifestado sobre as declarações desta segunda até a publicação desta reportagem. O setor argumenta, em manifestações anteriores, que o preço do combustível no varejo acompanha a cotação internacional da matéria-prima e que as margens de refino e distribuição respondem por parcela menor do valor final.
A pressão de um presidente que se elegeu prometendo ampliar a produção de óleo e gás cria uma situação incômoda para a indústria. O mesmo governo que flexibilizou licenças de exploração agora cobra que o resultado dessa produção chegue mais barato ao consumidor americano, em ano de eleições legislativas nos Estados Unidos.
Para o Brasil, o preço internacional do barril influencia o custo do diesel e da gasolina no mercado interno e o valor arrecadado com as exportações de petróleo bruto, hoje um dos principais itens da pauta brasileira de vendas ao exterior.
A gasolina é um dos itens de maior visibilidade política no orçamento das famílias americanas, e o preço na bomba costuma aparecer nas pesquisas de aprovação econômica. A Casa Branca tem repetido que a prioridade é derrubar o valor pago pelo consumidor, sem indicar qual instrumento pretende usar para isso além da pressão pública e da investigação já aberta.
Nenhuma medida regulatória nova foi anunciada nesta segunda. As declarações de Trump não vieram acompanhadas de proposta de tributação sobre lucros extraordinários, mecanismo que chegou a ser discutido em outros países durante a alta da energia e que enfrenta resistência entre republicanos no Congresso americano.
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