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EUA barram importação de 43 empresas chinesas por trabalho forçado

Departamento de Segurança Interna faz a maior ampliação da lista da UFLPA desde 2021 e leva o total a 187 entidades

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) anunciou na sexta-feira, 1º de agosto, a inclusão de 43 empresas chinesas na lista de entidades sancionadas pela Lei de Prevenção do Trabalho Forçado Uigur (UFLPA). A medida proíbe a entrada nos Estados Unidos de bens produzidos por essas companhias.

Com as novas inclusões, a lista passou de 144 para 187 entidades. É a maior ampliação desde a entrada em vigor da lei, em 2021, e a primeira feita sob a atual administração republicana.

Quais setores foram alcançados

As empresas atingidas atuam em eletrônicos e materiais para baterias, produção de alimentos, metais e alumínio, insumos para painéis solares, mineração e equipamentos de transmissão de energia. Entre as companhias citadas estão a SDIC Xinjiang Lithium Industry, a Xinjiang Tianhongji Technology, o Hunan Aihua Group, a Chacha Food, a TBEA, a Tianshan Aluminum Group e a Shandong Gold Mining.

O Hunan Aihua Group é um dos maiores fabricantes de capacitores da China, componente presente em boa parte dos equipamentos eletrônicos vendidos no mundo. A concentração de lítio, alumínio e insumos solares na lista atinge justamente as cadeias que abastecem a transição energética.

A UFLPA parte de uma presunção: mercadoria com origem em Xinjiang é considerada produzida com trabalho forçado, salvo prova em contrário apresentada pelo importador. O ônus recai sobre quem compra, e não sobre quem fiscaliza.

As reações

O deputado republicano John Moolenaar afirmou que "a ação de hoje da administração Trump fortalece a economia americana contra produtos feitos com trabalho escravo".

O Ministério do Comércio da China respondeu que tomará "as medidas necessárias" para proteger suas empresas e classificou as sanções de infundadas, ainda que tenha descrito as conversas comerciais recentes entre os dois países como construtivas. A embaixada chinesa negou as acusações e afirmou que a legislação do país proíbe o trabalho forçado.

O que isso significa para as cadeias globais

A ampliação da lista obriga importadores americanos a rastrear a origem de insumos ao longo de toda a cadeia, e não apenas do fornecedor direto. Uma peça montada em um terceiro país com componente produzido em Xinjiang pode ser retida na alfândega dos Estados Unidos.

O efeito atinge indiretamente exportadores de outros países que usam componentes chineses e vendem para o mercado americano. Empresas brasileiras que integram cadeias de eletrônicos, painéis solares e baterias precisam demonstrar a origem dos insumos para não ter carga barrada na entrada.

A medida chega em um momento em que as duas maiores economias do mundo mantêm negociações comerciais em curso. O contraste entre a linguagem diplomática sobre as conversas e o endurecimento das restrições descreve o padrão da relação desde 2021.

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