China fixa meta de 70% de carros de nova energia nas vendas até 2030
Plano do Ministério da Indústria e da Comissão de Desenvolvimento e Reforma também prevê 40% entre os comerciais e adoção em larga escala da direção autônoma
O governo da China estabeleceu a meta de que os veículos de nova energia respondam por 70% das vendas de carros de passeio novos no país até 2030. Para os veículos comerciais, o percentual fixado é de 40%. As metas constam de um plano setorial publicado por órgãos do governo chinês e divulgado nesta semana.
O documento é o Plano de Desenvolvimento da Indústria de Veículos de Nova Energia Inteligentes e Conectados para o 15º Plano Quinquenal, assinado por órgãos como o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, a agência que coordena o planejamento econômico chinês.
A categoria "veículo de nova energia" é mais ampla que a de elétrico puro. Na definição chinesa, entram os elétricos a bateria, os híbridos plug-in e os movidos a célula de combustível.
A meta já está perto de ser alcançada
O número mais relevante do anúncio não é a meta, e sim a distância que falta para ela. Nos oito primeiros meses de 2026, os veículos de nova energia responderam por 58,6% das vendas de carros de passeio novos na China e por 33,9% das vendas de comerciais. Só em agosto, os índices foram de 68% e 49,3%, respectivamente.
Ou seja: o país já bateu, em um único mês, a marca de comerciais fixada para 2030, e ficou a dois pontos percentuais da meta dos carros de passeio. Uma meta que a indústria praticamente já cumpre funciona menos como estímulo e mais como sinalização de que o governo não pretende recuar do rumo adotado.
O plano também trata de direção autônoma. O texto prevê adoção em larga escala de veículos com condução automatizada em rodovias, em vias expressas urbanas e em outras vias específicas das cidades chinesas até 2030.
O alvo é o ranking global
O documento fixa ainda objetivos de posicionamento internacional. Até 2030, o governo quer ver várias montadoras chinesas entre as dez maiores do mundo em volume de vendas, e empresas chinesas de autopeças entre as cem maiores do setor.
Essa parte do plano tem efeito direto sobre o Brasil. Montadoras chinesas já instalaram ou anunciaram fábricas no país, e o avanço da participação chinesa no mercado brasileiro de elétricos tem sido acompanhado de disputa sobre o calendário de retomada do imposto de importação sobre esses veículos.
A estratégia chinesa combina escala interna e exportação: o mercado doméstico absorve o volume que viabiliza o custo, e o excedente é direcionado a mercados sem produção local relevante de elétricos. É o mesmo desenho que a China aplicou antes em painéis solares e em baterias.
As informações sobre o plano foram divulgadas pelo Poder360 e pela Exame, com base no documento publicado pelos órgãos chineses. Não houve, até a publicação desta reportagem, manifestação do governo brasileiro sobre as metas anunciadas.
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