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Eleitores dos EUA barram data centers em quase todas as 41 consultas locais

Votações em dez estados, no dia das eleições de meio de mandato, tiveram como motivo central o custo de água e energia

Neste texto3 tópicos
  1. Onde os eleitores votaram
  2. O que pesou no voto
  3. E o Brasil?

Eleitores de dez estados americanos rejeitaram a instalação de data centers em quase todas as consultas locais realizadas na terça-feira (3), dia das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Segundo a Agência Brasil, 40 dos 41 plebiscitos terminaram contra os projetos das empresas de tecnologia.

A contagem varia conforme a fonte. A Route Fifty, publicação americana sobre governos locais, falou em "praticamente todas" as 40 medidas, com base em resultados preliminares, e avisou que algumas votações são apenas consultivas e não obrigam o poder local.

Onde os eleitores votaram

Ohio concentrou o maior número de consultas, perto de 20 entre cidades, vilas e condados. Em todas, a oposição aos data centers aparentemente venceu, segundo a Route Fifty. Os projetos também perderam em localidades da Califórnia, de Illinois, do Kansas, do Maine e de Nova Jersey.

A exceção apontada é Harwood, na Dakota do Norte. Lá, 75% dos 430 eleitores recusaram uma emenda à carta municipal que exigiria revisão independente e audiência pública antes da aprovação de grandes projetos industriais, entre eles data centers. A regra valeria só para obras futuras e não alcançaria o complexo da Applied Digital, que já tinha licença.

Outras votações estão previstas para dezembro, no Arkansas e na Dakota do Norte. Pelas contas da Agência Brasil, três das 50 consultas programadas para 2026 ainda faltam, e das 47 já feitas só uma deu resultado favorável.

O que pesou no voto

As duas reportagens apontam o mesmo motivo: o custo para a vizinhança. Os moradores citam o impacto dos data centers nas contas de água e de energia, além da falta de transparência nos acordos entre prefeituras e empresas. Esses centros consomem muita eletricidade e água, o que, nas palavras da Agência Brasil, eleva o preço desses insumos onde são instalados.

Uma pesquisa de boca de urna da NBC News, citada pela agência, mostrou que 57% dos eleitores acham que a inteligência artificial fará mais mal do que bem à sociedade e que 76% são contra a construção de data centers em suas comunidades. Em Ottawa, no Kansas, de acordo com a Agência Brasil, a proibição de centros acima de 25 megawatts passou com 72% dos votos.

Para Mitch Jones, diretor-adjunto da organização Food & Water Action, ouvido pela Route Fifty, os eleitores "rejeitaram enfaticamente" a expansão dos data centers de IA. A entidade defende a regulação do setor.

E o Brasil?

O tema já está na pauta de Brasília. Na sexta-feira (6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, em reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que as empresas de data center que vierem ao país terão de produzir a própria energia, como o Resenhando mostrou em reportagem sobre a fala do presidente. O governo não detalhou, até a publicação, como a exigência seria aplicada.

O resultado das urnas americanas é um dado novo para esse debate: ele mostra que, nos EUA, a conta de luz e de água da comunidade virou argumento eleitoral contra o investimento. As votações de dezembro dirão se o padrão se mantém.