Homem-bomba mata 14 em manifestação contra o extremismo no Paquistão
Ataque foi na entrada de uma delegacia em Kabal, no distrito de Swat, durante ato pela paz; o Tehreek-e-Taliban Pakistan reivindicou a autoria
Um homem-bomba matou ao menos 14 pessoas e feriu cerca de 20 no domingo, 2 de agosto, na cidade de Kabal, no distrito de Swat, noroeste do Paquistão. O ataque ocorreu durante uma manifestação pela paz realizada em frente a uma delegacia de polícia, que reunia cerca de mil participantes.
Entre os mortos há nove civis e cinco policiais, conforme balanço divulgado por autoridades locais e reproduzido pela imprensa internacional. O agressor detonou o explosivo depois de ser parado e revistado por policiais na entrada da delegacia.
O grupo Tehreek-e-Taliban Pakistan, também conhecido como Talibã paquistanês, reivindicou a autoria do atentado em comunicado. O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, e o primeiro-ministro, Shehbaz Sharif, condenaram o ataque e manifestaram pesar pelas mortes.
O que motivou o ato atingido
Os manifestantes protestavam contra o retorno de grupos islamistas armados à região, que enfrenta ataques há anos. O ato tinha caráter civil e reunia moradores e policiais quando foi alvo da explosão. Na cobertura inicial, a polícia de Swat informou sete mortos e 18 feridos; o balanço foi ampliado nas horas seguintes com a confirmação de novas mortes.
O vale do Swat abrange a cidade natal de Malala Yousafzai, a mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, baleada por integrantes do Talibã paquistanês na região em 2012. A área ficou sob controle do grupo entre 2007 e 2009, período encerrado por uma ofensiva militar, e voltou a registrar presença de militantes nos últimos anos.
O quadro de segurança no país
O Paquistão contabiliza mais de 3.100 incidentes ligados ao terrorismo em 2026, entre eles 28 atentados suicidas. As mortes somam 819 no ano, o que corresponde a uma média de quatro por dia, segundo levantamento citado na cobertura do episódio.
- Vítimas fatais das forças de segurança: 500;
- Civis mortos: 322;
- Concentração dos casos: 62,7% em Khyber Pakhtunkhwa e 36,5% no Baluchistão;
- Atentados suicidas no ano: 28.
Khyber Pakhtunkhwa, província onde fica o distrito de Swat, faz fronteira com o Afeganistão e concentra a maior parte dos ataques registrados no país. O governo paquistanês atribui parte do aumento da violência ao uso de território afegão como retaguarda por grupos armados, o que o governo do Talibã afegão nega.
A província manteve durante anos comitês locais de moradores organizados para resistir à presença de grupos armados, formados no período que se seguiu à ofensiva militar de 2009. Participantes desses comitês e agentes de segurança são os alvos mais frequentes dos atentados registrados na região.
Ataques contra manifestações civis e contra postos policiais são o padrão recente do Tehreek-e-Taliban Pakistan, que rompeu em 2022 o cessar-fogo mantido com o governo. A escolha de um ato pela paz como alvo reforça a estratégia do grupo de atingir iniciativas locais de resistência à sua presença.