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Unesco diz que veto do Talibã tira 2,4 milhões de afegãs do ensino médio

Número cresceu mais de 200 mil em um ano e pode chegar a 4 milhões em 2030, segundo a agência da ONU

Um total de 2,4 milhões de meninas e jovens afegãs está sem acesso ao ensino secundário por causa da proibição imposta pelo governo talibã, segundo levantamento divulgado pela Unesco nesta terça-feira, 11 de agosto. O veto vale desde o retorno do grupo ao poder no Afeganistão, há cinco anos.

O número cresceu em relação ao ano passado. Em 2025, a agência da ONU para educação, ciência e cultura contabilizava cerca de 2,2 milhões de meninas fora da etapa. Mais de 200 mil foram excluídas das salas de aula no intervalo de um ano.

A projeção da Unesco é de que, se as proibições continuarem, aproximadamente 4 milhões de meninas estejam privadas do ensino secundário até 2030.

O que os dados mostram

O Afeganistão é o único país do mundo em que o ensino secundário e o superior são estritamente proibidos para meninas e mulheres, segundo a agência. As restrições atingem também outros indicadores do sistema educacional afegão.

  • 2,4 milhões de meninas fora do ensino secundário em 2026
  • Alta de mais de 200 mil em relação a 2025, quando eram cerca de 2,2 milhões
  • Projeção de 4 milhões de excluídas até 2030, se o veto permanecer
  • Mais de 90% das crianças de dez anos não conseguem ler um texto simples
  • Mais da metade dos meninos e meninas em idade escolar está fora do sistema de ensino

A agência também calcula o efeito econômico. A manutenção das proibições representaria uma perda acumulada estimada em 9,6 bilhões de dólares em receita para o país até 2066.

Hoda Jaberian, coordenadora de programas de educação em situações de emergência da Unesco, é a responsável pela apresentação dos dados. O levantamento pede o fim da discriminação contra mulheres e meninas no país.

Cinco anos de restrição

O Talibã retomou o poder em Cabul em agosto de 2021, depois da retirada das tropas americanas. Desde então, o governo do grupo impôs uma sequência de restrições ao estudo e ao trabalho de mulheres, que hoje alcança o ensino a partir da adolescência.

As meninas afegãs seguem autorizadas a frequentar o ensino primário. A proibição atinge as etapas seguintes, o que na prática interrompe a trajetória escolar por volta dos 12 anos. O acesso à universidade também está vedado, restrição que passou a valer no fim de 2022 e que fecha o último degrau que ainda restava para as que haviam concluído o secundário antes da mudança de regime.

O dado que a Unesco divulga tem um efeito cumulativo: cada ano de proibição soma uma nova geração de meninas que termina o ensino primário e não encontra etapa seguinte disponível. É por isso que o número sobe mesmo sem mudança nas regras, e é essa aritmética que sustenta a projeção para o fim da década.

O texto divulgado pela agência não traz manifestação do governo talibã sobre os números nem sobre a projeção. O Afeganistão segue sem reconhecimento diplomático formal da maior parte dos países ocidentais desde a tomada do poder pelo grupo.

O levantamento não se restringe às meninas. Ao registrar que mais da metade das crianças em idade escolar está fora do sistema e que mais de 90% das de dez anos não leem um texto simples, a Unesco descreve um colapso que atinge também os meninos, ainda que só as meninas estejam formalmente proibidas de seguir depois do ensino primário.

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