Frei Orlando, capelão da FEB, entra no Livro dos Heróis da Pátria
Lei 15.483 foi publicada em edição extra do Diário Oficial; o religioso morreu na Itália em 1945, às vésperas da Tomada de Monte Castelo
Foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União, na terça-feira, 4 de agosto, a lei que inscreve o nome de frei Orlando no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A Lei 15.483 homenageia o capitão capelão do Exército que serviu na Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a Segunda Guerra Mundial e morreu na Itália em 1945.
A homenagem teve origem no PL 1.076/2023, apresentado pelo ex-deputado federal Paulo Fernando (DF). No Senado, o texto foi relatado pelo senador Flávio Arns (PSB-PR) e aprovado na Comissão de Educação antes de seguir para sanção.
O Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria registra, em páginas de aço, os nomes de brasileiros ou grupos de brasileiros que dedicaram a vida à defesa do país. A obra fica guardada no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Quem foi frei Orlando
Antônio Álvares da Silva nasceu em Morada Nova, Minas Gerais, em 1913. Começou os estudos religiosos em Divinópolis e viajou para a Holanda para concluir a formação. De volta ao Brasil, foi ordenado sacerdote, adotou o nome religioso de frei Orlando e passou a lecionar no Colégio Santo Antônio, em São João del-Rei.
Na cidade mineira, ele organizou a distribuição da Sopa dos Pobres, ação de assistência social feita com apoio de militares do 11º Regimento de Infantaria. Foi nesse período que começaram os preparativos da FEB para a guerra, com as cidades tomadas por convocados que aguardavam embarque.
Frei Orlando entrou para a FEB e seguiu para a Europa. O primeiro trabalho dele em território italiano foi celebrar missa na catedral de Pisa para os pracinhas brasileiros. Às vésperas da Tomada de Monte Castelo, durante uma visita à linha de frente, morreu aos 32 anos, atingido por um tiro acidental disparado por um partisan, membro da resistência italiana ao nazifascismo.
No ano seguinte à morte, ele foi escolhido patrono do Serviço de Assistência Religiosa do Exército, pela atuação na área social. A capelania militar acompanha as tropas em operação e presta assistência religiosa a militares de diferentes confissões.
O que muda com a inscrição no Livro
A inscrição no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria é a mais alta honraria concedida pelo Estado brasileiro a quem morreu ou dedicou a vida em defesa do país. Cada nome depende de lei específica, aprovada pelas duas Casas do Congresso e sancionada pela Presidência da República.
A homenagem não tem efeito financeiro nem gera benefício a herdeiros. O alcance é simbólico e documental: o nome passa a integrar o registro oficial consultado em cerimônias cívicas e em pesquisas sobre a história militar brasileira.
A Tomada de Monte Castelo, no norte da Itália, foi a operação mais custosa da FEB. Depois de quatro tentativas fracassadas, os brasileiros conquistaram a posição em fevereiro de 1945, episódio que se tornou o marco da participação do país no conflito.
A FEB reuniu cerca de 25 mil combatentes. O contingente atuou na campanha da Itália ao lado do 5º Exército americano e voltou ao Brasil no segundo semestre de 1945. Capelães militares acompanharam as unidades em campo, e frei Orlando é o nome mais lembrado desse grupo.
A tramitação levou três anos. O projeto foi apresentado em 2023, passou pela Câmara dos Deputados, chegou ao Senado e recebeu parecer favorável na Comissão de Educação antes de ir à sanção presidencial. Propostas de inscrição no Livro costumam depender de mobilização de entidades e de historiadores para reunir a documentação exigida.
A figura do capelão militar tem base legal no Brasil desde a criação do Serviço de Assistência Religiosa das Forças Armadas, estruturado no pós-guerra justamente a partir da experiência da FEB. O capelão é oficial de carreira, acompanha a tropa em exercícios e operações e presta assistência sem distinção de credo entre os militares.
O caso de frei Orlando reúne os dois atributos que a honraria exige: serviço em zona de combate e morte no exercício da função. O reconhecimento chega 81 anos depois do episódio em Monte Castelo.
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