TSE detalha como funciona o teste que audita a urna no dia da votação
Procedimento compara votos digitados em cédulas de papel com o relatório emitido pela urna eletrônica; urnas são sorteadas na véspera da eleição
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou em 6 de agosto o detalhamento do teste de integridade, procedimento aplicado no dia da votação para verificar se a urna eletrônica registra exatamente o voto que recebe. O mecanismo compara o resultado eletrônico com votos digitados manualmente a partir de cédulas de papel.
O teste ocorre em urnas que já estavam lacradas e prontas para uso na seção eleitoral. Na véspera da eleição, essas máquinas são sorteadas publicamente e retiradas do circuito de votação para a auditoria.
Como o teste é feito
No dia da eleição, servidores da Justiça Eleitoral digitam nas urnas selecionadas os votos previamente registrados em cédulas de papel. A operação acontece entre 8h e 17h, o mesmo intervalo em que o eleitor vota nas seções, e é integralmente gravada em áudio e vídeo.
Ao final do período, a urna emite o relatório eletrônico com o total apurado. Esse número é então confrontado com a soma dos votos das cédulas de papel que foram digitadas. Se os dois totais coincidem, a máquina registrou o que recebeu.
A quantidade de urnas submetidas ao procedimento está prevista em resolução do tribunal e é complementada pelo sorteio. O TSE não informou o número exato de equipamentos por unidade da Federação no material divulgado.
A gravação em áudio e vídeo cumpre função probatória. Ela registra a digitação de cada voto e permite que qualquer divergência entre o papel e o relatório final seja rastreada até o momento exato em que teria ocorrido, o que separa erro de digitação de falha do equipamento.
Quem fiscaliza e o que acontece depois
O acompanhamento é aberto a partidos políticos, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Polícia Federal e entidades responsáveis por auditorias externas, além da própria Justiça Eleitoral. Os relatórios do teste devem ser publicados em até 30 dias após o segundo turno.
Segundo Júlio Valente, secretário de Tecnologia da Informação do TSE, o procedimento é aplicado há mais de duas décadas.
Há mais de 20 anos, esse teste confirma a higidez do processo.
O tribunal afirma que, em todo esse período, nenhum teste registrou resultado diferente daquele que havia sido inserido nas urnas. O material divulgado não traz registro de divergência apurada nem descreve o procedimento aplicável caso ela ocorra.
O primeiro turno das eleições gerais de 2026 está marcado para 4 de outubro. O teste de integridade é uma das etapas de verificação previstas para o pleito e se soma à lacração das urnas e às auditorias de código-fonte, momentos em que os partidos também podem indicar fiscais.
O desenho do procedimento responde a uma objeção específica feita ao voto eletrônico: a de que a urna poderia registrar internamente algo diferente do que o eleitor digita. Ao usar cédulas de papel preenchidas antes e conferir o resultado depois, o teste cria um documento físico comparável ao registro eletrônico, sem depender da análise do software.
A limitação do método também é conhecida. Ele examina uma amostra sorteada, e não o conjunto das urnas em uso no país, e ocorre em condições de laboratório, com digitação feita por servidor e não por eleitor. Por isso o resultado é apresentado como verificação estatística do funcionamento das máquinas, não como recontagem da votação.
A escolha das urnas na véspera, e não com antecedência, é o ponto que sustenta o valor do teste. Como o equipamento sorteado já estava lacrado e destinado a uma seção real, não há tempo hábil para preparação específica daquela máquina.
O Resenhando acompanha o calendário eleitoral e os atos normativos do tribunal. Os partidos já cumpriram o prazo das convenções partidárias fixado pelo TSE.