TREs começam a instalar nas urnas os sistemas da eleição de outubro
TSE concluiu em 4 de setembro a assinatura digital e a lacração dos programas, fiscalizadas por OAB, Ministério Público, partidos e PF
Os tribunais regionais eleitorais começaram a instalar nas urnas eletrônicas os programas que serão usados nas eleições gerais de outubro. A informação foi divulgada pela Rádio Senado em 10 de setembro, e a etapa marca a passagem dos sistemas do Tribunal Superior Eleitoral para os 27 tribunais estaduais.
O TSE concluiu em 4 de setembro a cerimônia de assinatura digital e lacração dos sistemas eleitorais, presidida pelo ministro Nunes Marques, presidente do tribunal. É o ato que encerra a fase de desenvolvimento dos programas e cria a referência usada depois para verificar se o que está instalado na urna corresponde ao que foi examinado e aprovado.
Foram lacrados os sistemas de funcionamento da urna, de recebimento e transmissão dos votos, de recolhimento e totalização dos resultados e de segurança da informação, com os protocolos de criptografia. A cerimônia teve a participação do secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Júlio Valente, do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e de representantes da OAB, do Ministério Público e do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia.
O que foi lacrado e por quem foi inspecionado
A inspeção dos códigos-fonte começou em 2 de outubro de 2025, quase um ano antes do pleito. Participaram do processo, entre outras, as seguintes entidades fiscalizadoras:
- Ordem dos Advogados do Brasil
- Ministério Público
- Congresso Nacional
- Partidos políticos e coligações
- Controladoria-Geral da União
- Polícia Federal
- Sociedade Brasileira de Computação
Depois da lacração, o TSE enviou aos tribunais regionais os programas de registro e de apuração dos votos. São eles que os TREs passaram a carregar nas urnas, cada tribunal responsável pelo equipamento de seu estado.
A assinatura digital é o mecanismo que amarra as duas pontas. Os sistemas lacrados em setembro recebem uma identificação criptográfica, e é essa identificação que permite, no dia da votação e depois dela, conferir se a urna roda exatamente a versão fiscalizada, sem alteração posterior.
A distribuição para os 27 tribunais regionais divide a responsabilidade operacional. O TSE desenvolve e lacra; cada TRE instala, faz a carga e responde pelo parque de urnas de seu estado. É por isso que a etapa noticiada agora aparece como movimento simultâneo em vários tribunais, e não como um ato único em Brasília.
O calendário até outubro
O primeiro turno das eleições gerais será em 4 de outubro. Havendo segundo turno, a votação ocorrerá em 25 de outubro. Entre a instalação dos sistemas e o dia da eleição, os tribunais ainda executam a carga das urnas e os testes de integridade, também acompanhados por fiscais.
A carga é o procedimento que grava em cada urna a seção eleitoral a que ela pertence, a lista de candidatos e o arquivo de eleitores aptos. O teste de integridade sorteia urnas já preparadas e as submete a uma votação simulada, com registro em papel e conferência do resultado.
A fiscalização desses atos é aberta a partidos, coligações, Ministério Público e entidades habilitadas. É um ponto em que o modelo brasileiro se apoia: a verificação não depende só do Judiciário eleitoral, e sim de terceiros com acesso formal a cada etapa.
A urna eletrônica não se conecta à internet, e a transmissão do resultado ocorre por rede própria da Justiça Eleitoral depois do encerramento da votação. A inspeção prévia do código e a conferência da assinatura digital são as etapas que sustentam a comparação entre o programa examinado e o programa que roda no dia.
Em 2026, o eleitorado vota para presidente, governador, senador, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital. O calendário eleitoral e as regras de fiscalização estão previstos em resoluções do TSE publicadas ao longo do ano anterior ao pleito. Em agosto, o presidente da Câmara, Hugo Motta, defendeu a urna eletrônica em exposição no Congresso sobre os 30 anos do equipamento.