Motta defende a urna eletrônica em exposição no Congresso
Presidente da Câmara disse que o equipamento completa 30 anos em 2026 e pediu vigilância contra a desinformação
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reafirmou a defesa do sistema eleitoral brasileiro e da segurança da urna eletrônica em discurso na abertura da exposição "O Caminho do Voto", no Salão Negro do Congresso Nacional, nesta terça-feira, 8 de setembro.
"Em 2026, a urna eletrônica completa 30 anos de utilização no Brasil", afirmou Motta. Ele disse que "o voto é resultado de um processo construído e aperfeiçoado ao longo do tempo" e atribuiu ao Legislativo parte desse percurso: "Foi o Congresso Nacional que estabeleceu as bases jurídicas que permitiram a modernização".
O presidente da Câmara também citou a desinformação. "Precisamos ser vigilantes no combate à desinformação e no aprimoramento da legislação", declarou. Nenhum outro parlamentar teve declaração registrada na cobertura oficial do evento.
A urna eletrônica estreou nas eleições municipais de 1996, em 57 municípios: todo o estado do Rio de Janeiro, as capitais e as cidades com mais de 200 mil eleitores. Segundo o TSE, o equipamento alcançou naquele ano mais de 32 milhões de eleitores, um terço do eleitorado, com mais de 70 mil urnas produzidas para o pleito.
A informatização total do voto veio quatro anos depois, nas eleições de 2000, quando o equipamento chegou a todos os municípios do país. A exposição no Congresso reúne peças e documentos sobre essa trajetória.
A fala ocorre a menos de um mês do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O segundo turno, onde houver, será em 25 de outubro.
O TSE marcou para 2026 uma série de ações pelos 30 anos do equipamento, com foco declarado em segurança do voto e enfrentamento à desinformação.
O sistema eletrônico de votação passa por etapas de verificação antes e durante o pleito. Entre elas estão o teste público de segurança, em que especialistas convidados tentam encontrar falhas no software, a cerimônia de assinatura digital dos programas e o teste de integridade, feito no próprio dia da eleição com urnas sorteadas em seções reais.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que serão usados 563,9 mil equipamentos no país neste ano, dos quais 77% são dos modelos mais recentes.
A segurança da urna voltou ao debate político nos últimos ciclos eleitorais. Em agosto, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, que preside o TSE, afirmou que a Justiça Eleitoral abriu as urnas à população para verificação, e alertou para o uso de inteligência artificial na campanha.
No campo da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou que aceitará o resultado das urnas em 2026, ao mesmo tempo em que criticou a atuação do TSE no pleito de 2022.
A Câmara dos Deputados não informou até quando a exposição ficará aberta à visitação nem se haverá agenda complementar sobre o tema no plenário.